spot_img
HomeMundoUma semana após votação, Peru ainda não sabe resultados - 20/04/2026 -...

Uma semana após votação, Peru ainda não sabe resultados – 20/04/2026 – Mundo

Mais de uma semana após ir às urnas, o Peru ainda espera para saber quem vai desafiar Keiko Fujimori em junho —a candidata é a única certeza do segundo turno em um pleito com número recorde de 35 presidenciáveis e eleitores fartos da crise política no país.

Segundo autoridades eleitorais, talvez eles ainda precisem esperar semanas para saber quem estará nas cédulas.

No último sábado (18), Yessica Clavijo, secretária-geral do JNE (Conselho Nacional Eleitoral, na sigla em espanhol), afirmou que os resultados da jornada eleitoral do dia 12 de abril poderiam sair até 15 de maio, a menos de um mês da rodada final, marcada para o dia 7 de junho.

“Em média, as Juntas Eleitorais levam três dias para processar as atas de apuração, pois elas chegam em formato físico. Precisamos digitalizá-las, gerar os respectivos arquivos, proceder à análise, elaborar as resoluções, garantir que sejam devidamente notificadas e que se tornem definitivas”, justificou ela.

O número inédito de 35 candidatos e a votação para o Senado, recriado em lei de 2024 após 30 anos da extinção da Casa, rendeu uma cédula de 44 centímetros de comprimento. Além disso, aproximadamente 6% das seções eleitorais foram contestadas na semana passada devido a inconsistências, informações faltantes ou erros nas atas de apuração. O JNE diz que a revisão desses documentos pode durar semanas.

A paridade dos concorrentes faz com que a população acompanhe a contagem voto a voto. No final da tarde desta segunda, o Onpe (Escritório Nacional de Processos Eleitorais) mostrava Keiko, filha do ditador Alberto Fujimori (1990-2000) com 17,1% dos votos e os dois candidatos seguintes praticamente empatados.

O esquerdista Roberto Sánchez, herdeiro político do ex-presidente preso por tentativa de autogolpe Pedro Castillo (2021-2022), estava com 12% dos votos; Rafael López Aliaga, o aspirante a Donald Trump peruano e membro da Opus Dei, com 11,9%. A diferença entre os dois não chegava a 15 mil eleitores.

Levantamentos de institutos de pesquisa tampouco ajudam a prever como será a próxima votação. Já no domingo, duas das principais empresas do ramo no Peru fizeram projeções a partir da contagem oficial —o Ipsos colocou Sánchez numericamente em segundo, mas tecnicamente empatado com Aliaga e Jorge Nieto; a Datum estimou Aliaga em segundo, também empatado com Nieto, e Sánchez somente em quinto lugar.

O ultradireitista havia começado na frente de Sánchez, mas foi ultrapassado assim que começaram a chegar os votos de zonas rurais e andinas, normalmente mais difíceis de serem contabilizados pelas dificuldades de acesso a essas áreas.


A diferença apertada entre os candidatos já seria motivo suficiente para causar tensão entre os eleitores, mas o pleito teve mais um fator desestabilizador. O número de votos que separa Sánchez e Aliaga é muito inferior às mais de 50 mil pessoas afetadas pelo caos na jornada eleitoral do dia 12 de maio devido a um problema logístico.

Segundo o Onpe, 13 locais de votação da capital não receberam material eleitoral a tempo naquele domingo —uma falha que o chefe do órgão, Piero Corvetto, atribuiu à empresa contratada para fazer a distribuição.

Os centros afetados reabriram no dia seguinte para que os eleitores pudessem depositar seus votos, e observadores internacionais não viram indícios de fraude.

Já era tarde, porém. Desde então, Aliaga pede a anulação do pleito e chegou a oferecer US$ 5.800 para funcionários eleitorais que fornecessem provas de irregularidades. Alertado de que isso poderia configurar crime, recuou e ofereceu a recompensa ao público em geral.

Os locais impactados estão todos em Lima, cidade que Aliaga governava até outubro de 2025 e que, em contraposição ao interior do Peru, é um bastião da direita. Foi a tempestade perfeita para o ultradireitista insurgir contra a fraude que vinha denunciando desde antes de qualquer voto depositado.

Na terça-feira (14), após convocar um protesto, ele atacou o presidente do JNE, Roberto Burneo.

“Se eles não declararem essa porcaria nula e sem efeito, Sr. Burneo, prepare-se para o seu próprio Plano Morrocoy”, afirmou, em referência à suposta estratégia do chavismo na Venezuela de atrasar a divulgação dos resultados eleitorais nas regiões em que a oposição têm mais apoio. O nome se refere a uma espécie de jabuti.

“Você vai receber um grande, um enorme morrocoy para te fazer se comportar como um homem. Você sabe exatamente onde eu vou enfiar. Vamos enfiar o morrocoy, você sabe exatamente onde”, completou.

Sob a justificativa de que teria havido uma fraude, o partido de Aliaga, o Renovação Popular, entrou com dezenas de pedidos de anulação contra seções eleitorais na província de Cajamarca, onde seu adversário pelo segundo lugar, Sánchez, foi o favorito.

Trata-se de uma tática conhecida. Em 2021, quando perdeu para Castillo, Keiko pediu a anulação de 200 mil votos que vinham do interior do Peru. A solicitação foi rejeitada, o que não impediu Aliaga de repaginar a estratégia nas eleições deste ano, aprofundando o déjà vu político que vive o país.

Fonte: Folha de São Paulo

RELATED ARTICLES

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

- Advertisment -spot_img

Outras Notícias