O prédio que funciona como sede da Assembleia de Especialistas, órgão constitucionalmente encarregado de selecionar um novo líder supremo do Irã, foi completamente destruído em um ataque aéreo nesta terça-feira (3), reportaram agências de notícias iranianas.
A autoria exata do bombardeio contra a cidade de Qom, ao sul de Teerã, ainda é desconhecida, mas Israel havia dito mais cedo ter atacado a sede da Presidência e do Conselho de Segurança do Irã, enquanto os Estados Unidos realizaram novas incursões aéreas na capital.
Logo após o ataque, um funcionário israelense disse ao jornal The Times of Israel, sob condição de anonimato, que os clérigos foram atingidos —o órgão é composto por 88 autoridades islâmicas altamente graduadas que são eleitas por voto popular a cada oito anos.
A agência local Fars, no entanto, informou que o prédio foi esvaziado antes do ataque e, por isso, não houve vítimas. Ainda segundo a agência, os membros da assembleia se reúnem de maneira remota e seus 88 membros estão nos “estágios finais” da nova escolha.
Sua principal função é selecionar o líder supremo, uma atribuição que não é exercida desde 1989, quando Ali Khamenei, morto no sábado (28) em decorrência dos ataques articulados por Washington e Tel Aviv, chegou ao poder.
A destruição do prédio, junto com ataques contra a sede da Presidência e o Conselho de Segurança, indica que os EUA e Israel permanecem mirando lideranças iranianas. O conselho é responsável pela política de defesa nacional, e o presidente Masoud Pezeshkian é um dos líderes no comando do Irã no momento.
Especialistas, entretanto, não estão certos de que a estratégia de decapitação do regime, sem uma invasão terrestre do Irã será suficiente para derrubar o regime.
Além disso, embora tanto o presidente Donald Trump quanto o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu tenham convocado o povo iraniano a tomar controle do país, o governo americano tem recuado desse objetivo.
Em fala na segunda (2), Trump não mencionou uma derrubada da teocracia, dizendo que a guerra está sendo travada para impedir que o Irã produza mísseis balísticos e desenvolva uma bomba atômica —arma que Teerã nega desejar, embora tenha enriquecido urânio a níveis muito superiores do que os necessários para usos civis.
O secretário de Estado, Marco Rubio, também disse que os EUA atacaram o Irã como uma forma de defesa, sugerindo que Tel Aviv já havia decidido bombardear o país persa e que, por isso, Washington não teve escolha a não ser agir.
A Assembleia de Especialistas, alvo do ataque desta terça, é liderada pelo clérigo Mohammad Ali Movahedi e vota para eleger o novo líder supremo a partir de uma lista previamente aprovada pelo Conselho Guardião. Esse órgão, por sua vez, é composto por 12 pessoas: seis clérigos, escolhidos pelo líder supremo, e seis juristas, selecionados pelo presidente da Suprema Corte iraniana.
Entre os requisitos constitucionais para que um clérigo se torne líder supremo, com controle completo do Executivo, Legislativo e Judiciário do país, estão conhecimento profundo da lei islâmica, capacidade comprovada de liderança, compreensão de assuntos políticos e sociais, e uma personalidade “justa e piedosa”.
Antes de Khamenei ser escolhido para o cargo, a Constituição também exigia que o líder supremo fosse um aiatolá, um dos cargos mais elevados para clérigos do islamismo xiita, dominante no Irã. Entretanto, como o sucessor escolhido por Ruhollah Khomeini não era um aiatolá, o texto constitucional foi alterado para que Khamenei pudesse ser eleito.




