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Peru: Eleição tumultuada ainda tem 2º turno indefinido – 13/04/2026 – Mundo

Peruanos que não conseguiram votar no domingo (12) devido ao caos em que se transformaram alguns centros de votação de Lima voltaram às urnas nesta segunda-feira (13) para escolher seu próximo presidente.

Durante a manhã, Berta Arotoma, 35, estava em seu local de votação pela quarta vez em dois dias. “Ontem vim aqui três vezes”, afirma a trabalhadora autônoma, que diz ter perdido algumas horas de trabalho nesta segunda para conseguir votar. A escola, no sul de Lima, foi um dos 13 pontos na capital que não receberam material eleitoral a tempo, afetando mais de 50 mil eleitores, segundo autoridades locais.

“Disseram que se o material eleitoral não chegasse até as 14h, não iríamos votar. Mas nós, como cidadãos, precisamos votar”, disse Berta. “Não se trata de ser liberado da multa”, continuou, em relação à medida do ONPE (Escritório Nacional de Processos Eleitorais, na sigla em espanhol) para não punir os eleitores cujos votos são obrigatórios.

O órgão vem sendo criticado por eleitores e políticos após as falhas, que já renderam a primeira prisão nesta segunda. José Samamé Blas, funcionário que assumiu a responsabilidade pelas falhas ao pedir demissão no domingo, foi detido pela manhã.

Na véspera, o candidato Rafael López Aliaga falou em fraude e pediu a detenção do chefe do órgão, Piero Corvetto. “Onde está a Procuradoria-Geral da República? Onde está a Polícia Nacional? Piero Corvetto deve ser preso imediatamente por negligência no cumprimento do dever. Ele não pode justificar sua inação com a desculpa de problemas logísticos”, afirmou.

Trata-se do tipo de declaração que deu popularidade ao político que tenta ser um Donald Trump latino. Com pouco mais de 57% das atas apuradas, às 17h locais (19h no Brasil), o candidato tinha quase 14,2% dos votos, atrás apenas de Keiko Fujimori, com 16,9%.

Tanto a boca de urna quanto a projeção a partir da contagem oficial da empresa Datum confirmam ambos no segundo turno. Já os dois levantamentos da Ipsos colocam Keiko e Roberto Sánchez, ex-ministro de Pedro Castillo, líder que tentou um autogolpe em 2022, na rodada final.

Caso a tendência se mantenha, o Peru precisará escolher em junho, no segundo turno, entre a filha do ditador Alberto Fujimori (1990-2000) e um membro do movimento católico ultraconservador Opus Dei que pediu publicamente a morte de adversários e jornalistas, como o premiado repórter Gustavo Gorriti.

A perspectiva de disputar com Aliaga animou Keiko. “Os resultados são um sinal muito positivo para o nosso país, porque o inimigo é a esquerda”, afirmou ela após uma projeção da empresa Datum Internacional colocar o ultradireitista em segundo lugar.

Há outra razão, no entanto, para Keiko ter se animado. Presidenciável pelo quarto pleito consecutivo, Keiko nunca conseguiu chegar ao cargo —o mais próximo foi em 1994, quando se tornou primeira-dama de seu pai após a sua mãe, Susana Higuchi, fazer denúncias de corrupção no governo e afirmar que havia sido torturada por agentes do Serviço Nacional de Inteligência a mando do marido.

As tentativas de ser eleita sempre naufragam no segundo turno devido ao antifujimorismo, um dos movimentos mais fortes do Peru contra o lider condenado por corrupção e violações de direitos humanos durante a sua cruzada contra guerrilhas dos anos 1990. Não se sabe, porém, como essa rejeição se aplicaria diante de um adversário tão radical quanto Aliaga.

Fonte: Folha de São Paulo

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