O presidente da Argentina, Javier Milei, nomeou no domingo (28) o ministro do Interior, Diego Santilli, como novo chefe de gabinete. Ele substitui Manuel Adorni, que renunciou no sábado (27) em meio a escândalo de corrupção, e assumirá a nova função na terça-feira (30).
A saída de Adorni ocorreu após mais de três meses de pressão e se tornou o maior escândalo do governo. Santilli, 59, tem uma longa trajetória na política.
Iniciou a carreira no peronismo antes de migrar para o partido de direita Pro, pelo qual foi vice-chefe de governo e ministro da Segurança de Buenos Aires. Também foi senador e deputado nacional entre 2002 e o ano passado.
Desde novembro de 2025, estava à frente do Ministério do Interior, onde liderou as negociações com governadores e bancadas legislativas aliadas.
Ele será o quarto chefe de Gabinete de Milei desde a posse do presidente, em dezembro de 2023.
“Assumo o desafio mais importante da minha vida com o compromisso de continuar trabalhando para que este governo siga fazendo história. Acredito em projetos coletivos, não em projetos individuais”, escreveu Santilli no X após o anúncio.
“Vou dar tudo de mim para que este governo continue avançando nas reformas estruturais de que a Argentina precisava há décadas.”
Ao contrário de Adorni, de estilo confrontador, pouco negociador e com pouca experiência política, Santilli pode trazer um perfil mais voltado ao consenso dentro do governo.
Adorni enfrentava pressão para se afastar de suas funções desde março deste ano, quando veio à tona que sua esposa, Betina Angeletti, havia viajado com a comitiva oficial da Presidência a Nova York, mesmo sem nenhuma função oficial. A partir de então, diversas outras revelações, difíceis de explicar, vieram.
As mais graves dizem respeito a uma viagem com a família às ilhas caribenhas de Aruba, que pode ter custado de US$ 14 mil a US$ 15 mil, e a compra de dois imóveis em 2024 e 2025 —uma casa em nome de sua esposa em um condomínio a 80 km de Buenos Aires e um apartamento de US$ 230 mil no bairro de Caballito, na capital
Os gastos parecem incompatíveis com o atual salário do ministro e com sua situação financeira anterior, situação que o tornou o mais impopular dos ministros de Milei —na semana passada, uma pesquisa -do Ceop (Centro de Estudos de Opinião Pública) mostrou que 78% dos argentinos achavam que o político deveria renunciar.
Nada foi suficiente para Milei abandoná-lo.
Logo após a publicação, a secretária-geral da Presidência da Argentina e irmã do ultraliberal, Karina Milei, demonstrou apoio ao agora ex-funcionário. “Você é uma pessoa íntegra, valiosa e muito querida por todos nós. Sabemos o momento difícil —e injusto— que você e sua família têm atravessado nos últimos meses, e respeitamos sua decisão, lamentando que as circunstâncias tenham levado a isso”, escreveu ela no X.
Pela carta de renúncia divulgada, o presidente também continuou apoiando Adorni até o último momento. “Pela primeira vez desde 10 de dezembro de 2023, estou indo contra a sua vontade. Agradeço por desta vez aceitar minha renúncia ao cargo de chefe de gabinete”, afirmou Adorni.




