O órgão eleitoral do Peru concluiu nesta segunda-feira (29) a contagem dos votos da eleição presidencial, após várias semanas em que cédulas contestadas foram revisadas. Segundo o resultado final da apuração, a conservadora Keiko Fujimori, 51, obteve 50,13% da preferência dos eleitores, o equivalente a 9.223.396 votos. Seu adversário, o esquerdista Roberto Sánchez, 57, recebeu 49,86%, ou 9.173.755 votos.
A diferença entre os candidatos, portanto, foi de pouco mais de 49 mil votos, de acordo com o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). A autoridade eleitoral, porém, ainda não declarou de forma oficial um vencedor e planeja fazê-lo após audiências finais sobre recursos apresentados pelos partidos, de acordo com o jornal peruano El Comercio.
Segundo um porta-voz do Conselho Nacional Eleitoral mencionado pela publicação peruana, tribunais eleitorais aguardam o fim do prazo para a apresentação de recursos e a análise de eventuais contestações. Ele afirmou ainda que o cronograma estabelecido pelo órgão eleitoral continua inalterado.
Os resultados, acrescentou, deverão ser anunciados “por volta do dia 3” de julho, e a chapa presidencial vencedora receberá suas credenciais no dia 15 do mesmo mês.
A provável vitória de Keiko, filha do ditador Alberto Fujimori, aprofunda a guinada à direita da América Latina, após a eleição do outsider Abelardo de la Espriella na Colômbia no último dia 21. Eleitores preocupados com a criminalidade têm migrado para candidatos de linha dura.
Durante a campanha, Keiko absorveu a agenda anti-imigração, repaginando o radicalismo de seu pai para a ultradireita do século 21. “Expulsaremos cidadãos sem documentos”, disse. A comunidade venezuelana no Peru, a mais numerosa do país, conta com 1,6 milhão de pessoas —14% sem residência autorizada.
No campo da economia, o pilar da sua campanha foi a defesa do legado econômico do seu pai, que estabilizou a economia do Peru por meio da independência do Banco Central e de um marco legal rígido que garante o equilíbrio das contas públicas. O ditador também conduziu uma repressão que incluiu pelo menos dois massacres envolvendo civis.
Nesse sentido, Keiko fez questão de marcar a diferença com Sánchez, embora o candidato derrotado tenha moderado o discurso econômico quando passou para o segundo turno. A presidente quer reduzir o déficit fiscal peruano para 1% do PIB até 2031 —o de 2025 já havia sido 2,2%, um dos mais baixos da América Latina.
Sánchez, por sua vez, chegou a dizer que “uma fraude estava em andamento”, sem apresentar provas. Afirmou também que se recusaria a reconhecer os resultados da eleição, levantando a possibilidade de uma crise política prolongada no Peru.
O esquerdita havia solicitado a anulação de milhares de votos depositados no exterior que favoreciam majoritariamente Keiko, mas o júri eleitoral nacional do Peru rejeitou o pedido.
Os resultados do segundo turno foram atrasados por uma revisão de cédulas contestadas, pela chegada tardia de votos do exterior e pela diferença mínima entre os candidatos.
Keiko está prestes a herdar um país que teve oito presidentes em igual número de anos e que enfrenta profundas desigualdades econômicas entre a capital e as regiões rurais, além de desilusão com os políticos.




