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Coreia: Havia DNA de pato em motores de avião que explodiu – 27/01/2025 – Mundo

Os dois motores do avião da Jeju Air que explodiu no mês passado na Coreia do Sul continham restos de patos, de acordo com um relatório preliminar divulgado nesta segunda-feira (27). As autoridades ainda tentam determinar o que causou o desastre aéreo mais mortal do país.

Embora seja raro que os relatórios preliminares vão além dos detalhes factuais, o texto desta segunda não deu nenhuma indicação sobre o que poderia ter levado a aeronave a aterrissar sem o trem de pouso acionado.

O relatório de seis páginas divulgado pelas autoridades sul-coreanas afirma que ambos os motores do Boeing 737-800 continham DNA de marrecos do Baikal, um tipo de pato migratório que voa em grandes bandos para a Coreia do Sul durante o inverno.

Os especialistas dizem que os acidentes aéreos são quase sempre causados por um conjunto de fatores. O voo da Jeju Air proveniente de Bancoc, em 29 de dezembro, ultrapassou a pista do aeroporto de Muan ao fazer um pouso de emergência de barriga e colidiu com um aterro que continha equipamentos de navegação, chamados localizadores, matando 179 pessoas e tripulantes a bordo —dois comissários sobreviveram.

“Após a colisão com o aterro, ocorreu um incêndio e uma explosão parcial. Ambos os motores foram enterrados no monte de terra do aterro, e a fuselagem dianteira se espalhou por até 30 a 200 metros”, diz o relatório.

O localizador auxilia a navegação de uma aeronave que se aproxima da pista de pouso e a estrutura construída com concreto reforçado e terra no aeroporto de Muan, que sustenta as antenas do sistema, provavelmente contribuiu para o alto número de mortos, segundo especialistas.

O documento diz ainda que a investigação desmontará os motores, examinará os componentes em profundidade, analisará os dados de voo e de controle de tráfego aéreo e investigará o aterro, os localizadores e as evidências de colisão com pássaros. “Essas atividades de investigação completas têm como objetivo determinar a causa exata do acidente.”

Os investigadores sul-coreanos compartilharam novas informações com as famílias das vítimas no último sábado (25), incluindo a percepção dos pilotos de um bando de pássaros na aproximação final do avião.

O momento exato em que os pilotos relataram a colisão com as aves ainda não foi confirmado, segundo o relatório, mas a aeronave “fez uma declaração de emergência (Mayday 3 vezes) para uma colisão com pássaros durante uma volta”.

As ocorrências em que pássaros causam danos a ambos os motores de um avião são raras, embora haja casos bem-sucedidos de pouso de pilotos sem fatalidades em tais situações.

Para a investigação, no geral, as autoridades remontam os momentos finais antes de um desastre, sincronizando as gravações de voz e dados de voo para entender como a tripulação e o avião interagiram. No entanto, essas evidências não estão disponíveis no caso do acidente da Jeju Air porque os gravadores pararam de gravar pouco antes de os pilotos declararem a emergência —cerca de quatro minutos antes do impacto.

A aeronave estava a uma altitude de 152 metros, voando a 161 nós (298 km/h), no momento em que os gravadores de voo pararam de gravar, segundo o relatório.

Desde 2010, os novos aviões construídos nos EUA precisam ter energia de reserva suficiente para fornecer dez minutos de gravação extra caso a energia elétrica a bordo falhe. Essa mudança, no entanto, ocorreu oito meses depois que o 737-800 envolvido no acidente deixou a fábrica da Boeing, de acordo com dados do FlightRadar24.

O Conselho de Investigação de Acidentes Ferroviários e de Aviação da Coreia do Sul compartilhou seu relatório com a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), com a Tailândia, com os Estados Unidos e com a França, que são os países de origem dos fabricantes de aviões e motores. De acordo com as diretrizes globais de aviação, os investigadores emitem relatórios preliminares após 30 dias e um relatório final é esperado dentro de um ano.

Fonte: Folha de São Paulo

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