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Milei promete reforma eleitoral que institui ficha limpa – 21/04/2026 – Mundo

Menos de duas semanas após conseguir reformar, sob protestos de ambientalistas, a Lei das Geleiras, Javier Milei volta-se à política. O presidente da Argentina afirmou nesta terça-feira (21) que vai enviar uma reforma eleitoral ao Congresso.

O anúncio foi feito à sua maneira: no X e em letras garrafais. “AMANHÃ ENVIAREMOS A REFORMA ELEITORAL AO CONGRESSO”, escreveu o ultraliberal no final da tarde, enquanto se preparava para voltar de sua terceira visita a Israel desde que chegou ao poder, no final de 2023.

Segundo ele, a proposta vai eliminar as Paso, como são chamadas as eleições primárias no país (“chega de obrigar os argentinos a pagar pelas eleições internas da elite”); mudar o financiamento das campanhas (“acabou a política que vive do seu dinheiro”) e instituir uma regra correspondente à Ficha Limpa do Brasil “funcionários corruptos FORA para sempre”).

O comunicado pode parecer repentino, mas vem sendo negociado no Congresso há semanas. Ao longo desse período, o governo cogitou deixar a parte do financiamento de partidos políticos para um segundo momento e tornar as Paso (acrônimo de “Primárias, Abertas, Simultâneas e Obrigatórias”) optativas para atender parte da base de apoio do partido de Milei, A Liberdade Avança.

Ao que parece, nenhuma das duas ideias se manteve no projeto final a ser mandado para o Congresso.

Desde o final de 2025, dois meses após as eleições legislativas de meio de mandato da Argentina, a sigla do ultraliberal tem quase 40% das cadeiras da Câmara (mais do que o dobro do número de deputados na Legislatura anterior) e 21 dos 72 senadores (o triplo da quantidade de políticos da legenda na Casa até então).

Tal configuração tem sido essencial para Milei passar iniciativas caras ao seu projeto político, como a reforma trabalhista que permite jornadas de até 12 horas e um novo regime criminal que reduz a maioridade penal de 16 para 14 anos.

No entanto, eliminar as Paso, criadas durante o primeiro mandato de Cristina Kirchner e implementadas pela primeira vez em 2011, tem se mostrado uma tarefa mais difícil. O ultraliberal já havia tentado fazê-lo no ano passado, mas a falta de apoio no Congresso o impediu, obrigando o governo a optar por uma suspensão temporária.

A resistência se justifica pelas disputas internas dos partidos para escolher um candidato —justamente o problema que o mecanismo tenta resolver— e por medo de o governo tentar com isso neutralizar a oposição, que pode acabar apresentando vários candidatos à Presidência, dividindo os votos, enquanto a escolha de A Liberdade Avança é óbvia com Milei.

A contrapartida do governo para incluir a proposta foi a incorporação da Ficha Limpa, um projeto que o partido Proposta Republicana, fundado pelo ex-presidente Mauricio Macri, tenta engatar há anos —a ideia, inspirada na lei brasileira, proíbe que condenados em segunda instância por corrupção sejam candidatos.

Mais uma vitória viria em um momento conveniente para Milei. A despeito da queda no nível da pobreza e da razoável estabilidade da economia, o presidente vê a sua popularidade cair mês a mês.

Segundo uma pesquisa da AtlasIntel divulgada no mês passado com margem de erro de um ponto percentual, 57,4% dos argentinos desaprovam o governo do ultraliberal, contra apenas 30,3% que o consideram bom ou excelente. Um ano antes, os números eram de 45% e 44%, respectivamente.

O último mês foi marcado por uma série de escândalos que respingaram em Milei. Um deles diz respeito a arquivos encontrados no celular de um empresário que sugerem um envolvimento maior do presidente argentino no escândalo de promoção do criptoativo $Libra. O segundo é uma investigação sobre o suposto enriquecimento ilícito de seu chefe de gabinete, Manuel Adorni.

Fonte: Folha de São Paulo

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