A ação em que forças especiais dos Estados Unidos capturaram o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, deixou um rastro de destruição bastante preciso segundo as primeiras imagens de satélite disponíveis.
Divulgadas pela empresa americana Vantor, elas mostram principalmente o foco no complexo militar do Forte Tiuna, nos subúrbios a sudoeste de Caracas. Foi de lá que Maduro e sua mulher, Cilia Flores, foram sequestrados por soldados da unidade de elite do Exército dos EUA Delta Force no sábado (3).
Intalações da base militar de Tiuna antes e depois da incursão dos EUA
Imagens de 22.dez.25 e 3.jan.26
– Satélite Vantor/via AFP
Comparando com fotos de dezembro, é possível ver prédios específicos destruídos ao lado de outros intactos, sugerindo o emprego de munição de precisão provavelmente lançada por caças furtivos ao radar F-35 ou F-22, ambos usados na chamada Operação Determinação Absoluta.
Forte Tiuna é uma vila militar reforçada como um bunker, construída numa região com morros, o que permitiu a instalação de uma rede de túneis. A casa em que Maduro estava tinha uma ala segura, com porta de aço, segundo relato do presidente Donald Trump. Ela concentra o Ministério da Defesa e o Comando Geral do Exército, entre outras instalações.
Antes e depois de um acesso a prédios militares em Caracas
Imagens de 22.dez.25 e 3.jan.26
– Satélie Vantor/via AFP
Segundo imagens georreferenciadas da operação, foi de lá que Maduro e sua mulher foram levados. O líder do partido do ditador, Nahum Fernandéz, confirmou a informação à agência Associated Press no sábado.
As imagens gravadas por moradores de Caracas mostraram a atividade militar sobre Forte Tiuna. Um helicóptero de ataque disparou vários mísseis Hellfire contra uma posição no local, e houve grandes explosões.
Se a localidade foi o centro da ação, ela se espalhou pelo país de forma humilhante para as forças de Maduro, que podiam se orgulhar de ter o melhor sistema de defesa antiaérea da América Latina, montado nos anos de Hugo Chávez no poder (2008-2013), quando o petróleo do país comprou material russo e chinês.
A inação das defesa na operação, combinada com a aparentemente rápida acomodação do governo Trump com o restante do regime chavista, sugere algum tipo de acordo prévio para entregar Maduro.
Parte da base militar de Tiuna, em Caracas, antes e depois dos ataques americanos
Imagens de 22.dez.25 e 3.jan.26
– Satélite Vantor/via Reuters
Isso dito, os EUA não parecem ter pagado para ver e destruíram alguns ativos importantes. A essa altura, a avaliação dos danos é limitada a imagens de rede social, além das de satélite.
Algumas são claras. Na base de La Carlota, em Caracas, uma bateria de médio alcance russa Buk-M2E foi destruída. O mesmo aconteceu em Higuerote, na costa a leste da capital. A arma custa cerca de R$ 500 milhões.
Antes do ataque, Maduro havia posicionado algumas unidades, ao lado de mais antigos modelos soviéticos Petchora-2M de curto alcance e valor incerto, ao norte de Caracas, no porto de La Guaira —que foi duramente bombardeado.
A Venezuela tinha, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (Londres), nove Buk-M2E, perigosos lançadores de até 24 mísseis por salva contra alvos a até 45 km de distância e 25 km de altura, além de 44 Pechora.
Mas a principal arma do país eram os S-300VM russos, sistemas antiaéreos para atingir alvos a até 250 km de distância que podem custar R$ 5 bilhões a bateria. Não se sabe se alguma das 12 unidades da Venezuela foi atingida, mas nada indica que ela foi empregada.
Aqui, o mais provável é a ação eficaz de aviões de guerra eletrônica EA-18G Growler, versões do caça F/A-18 com equipamentos para bloquear e embaralhar sinais de radar inimigos, cegando as defesas. Se submetido a uma ação precisa, o S-300 ou os Buk não conseguem mirar nos alvos.
Neste caso, com seus radares ativos, as baterias antiaéreas viram elas o alvo, atraindo mísseis antirradiação disparados por caças.
Na descrição feita pelo Pentágono da ação com 150 aeronaves, tudo isso formou um corredor seguro para a passagem de uma pequena frota de helicópteros com as forças especiais, que voaram sem oposição sobre Caracas. Ainda que tenha sido impecável, seguem as suspeitas acerca da falta de reação em solo.
Incerto também é o destino do que sobrou da frota de caças de Maduro, composta por 18 antigos F-16 americanos e 21 mais capazes Sukhoi Su-30MKV russos, carregando os temidos mísseis antinavio Kh-31 Kripton —uma das únicas ameaças potenciais à armada americana no Caribe. Nem todos os aviões, contudo, tinham condição de voo.
Segundo relatos de observadores militares venezuelanos e russos, todos os principais aeródromos venezuelanos foram atingidos na ação. Circulou o rumor de que ao menos sete caças haviam sido destruídos, mas não há nenhum tipo de confirmação até aqui.




