O ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, já alvo de uma investigação por tráfico de influências que minou o atual governo, será investigado por suposta fraude fiscal e contrabando relacionados a joias encontradas em seu gabinete, anunciaram autoridades da Espanha nesta sexta-feira (12).
Segundo o documento judicial da Audiência Nacional, tribunal com jurisdição federal com sede em Madri, Zapatero não conseguiu comprovar o “pagamento de direitos aduaneiros, impostos especiais de consumo ou impostos associados à importação” das joias, avaliadas em € 1,3 milhão (cerca de R$ 7,7 milhões).
Líder do país de 2004 a 2011, Zapatero é uma figura proeminente do socialismo espanhol e aliado do atual chefe do Executivo, Pedro Sánchez. Ele é o primeiro ex-premiê espanhol a ser formalmente investigado pelo Judiciário desde a transição para a democracia.
Um representante de Zapatero afirmou que as joias, encontradas durante uma operação de busca no cofre de seu gabinete, eram uma herança de família e que seu valor declarado havia sido muito menor.
O juiz acredita que o fato de Zapatero não conseguir comprovar o pagamento de impostos ou taxas sobre as joias “constitui um indício objetivo de que tais mercadorias podem ter entrado no território aduaneiro da União Europeia burlando os controles e obrigações tributárias exigidos”.
A busca policial que encontrou as joias foi ordenada pelo magistrado, que busca determinar se Zapatero influenciou, em troca de dinheiro, o resgate, com € 53 milhões (cerca de R$ 314 milhões), da pequena companhia aérea Plus Ultra durante a pandemia de Covid-19.
Nesse caso, o ex-premiê foi indiciado há três semanas por supostamente liderar uma rede de tráfico de influência e lavagem de dinheiro.
A Audiência Nacional informou que a rede supostamente liderada por Zapatero lucrava com a pressão exercida sobre autoridades públicas em nome de terceiros —principalmente a companhia Plus Ultra, que recebeu ajuda financeira do Estado em 2021.
O ex-primeiro-ministro negou qualquer irregularidade em uma mensagem de vídeo divulgada após o indiciamento: “Quero reafirmar que toda a minha atividade pública e privada sempre foi conduzida com absoluto respeito à lei.”
Os casos aumentam a pressão sobre Sánchez, que já enfrenta uma investigação de corrupção sobre supostas propinas pagas a membros-chave de seu círculo íntimo, bem como inquéritos envolvendo sua esposa e seu irmão.




