A Comissão Federal de Belas Artes dos Estados Unidos aprovou de maneira preliminar os planos para um imponente arco do triunfo de 76 metros para celebrar os 250 anos do país, um dos vários projetos de construção que o presidente Donald Trump idealizou em um esforço para deixar sua marca estética em Washington.
Apesar da aprovação inicial, o vice-presidente do painel sugeriu mudanças significativas, incluindo a remoção de uma estátua alada no topo do arco que compõe o terço final dos 76 metros de altura desejados por Trump.
A comissão solicitou ao governo Trump que retorne com desenhos atualizados antes de uma votação final pelo painel, que é repleto por aliados de Trump e tem apenas função consultiva.
Trump quer que o arco se erga a partir de uma rotatória próxima ao Cemitério Nacional de Arlington, do outro lado do rio Potomac, em frente ao Memorial Lincoln. O projeto apresenta de forma proeminente os pesados adornos dourados que se tornaram conhecidos como o estilo característico de Trump.
O arco, cujo custo o governo não divulgou, traz a marca de um projeto de Trump por outro motivo: como originalmente proposto, ele é gigantesco.
Embora seja vagamente inspirado no Arco do Triunfo, o monumento neoclássico de Paris encomendado por Napoleão, o arco proposto por Trump faria este parecer pequeno, sendo cerca de 26 metros mais alto.
Na verdade, o arco submetido ao painel seria mais alto do que quase todos os outros arcos monumentais dos Estados Unidos e do mundo.
Muitos dos arcos monumentais do mundo são memoriais de guerra, como o Portão da Índia em Nova Déli e o Monumento aos Soldados e Marinheiros na cidade de Nova York. Alguns comemoram revoluções, como o Monumento à Revolução na Cidade do México, e outros, como o Arco da Rua Augusta em Lisboa, Portugal, simbolizam a força de um povo.
Questionado em outubro sobre para quem seria o arco proposto em Washington, Trump respondeu: “Para mim”.
Se construído como o governo Trump planejou, o arco transformaria a paisagem de Washington. Sua localização proposta significa que ele ficaria em total destaque ao entrar ou sair da capital pela ponte Memorial de Arlington. Sua altura originalmente proposta significa que ele seria mais alto que o Memorial Lincoln e quase tão alto quanto o Capitólio.
A Casa Branca espera concluir a construção antes do fim do mandato de Trump. Mas permanecem questões sobre como o arco seria construído, incluindo quem pagará por ele.
Ainda é possível que, assim como o salão de festas de 8.400 m² planejado por Trump para a Casa Branca, o arco proposto fique preso em um emaranhado jurídico.
Um grupo de veteranos da Guerra do Vietnã, bem como um historiador de arquitetura, entraram com processo em tribunal federal para impedir sua construção. A ação argumenta que o arco exigiria aprovação do Congresso sob vários estatutos, incluindo a Lei de Obras Comemorativas de 1986, que determina que um memorial construído no local proposto deve ser de “significado histórico preeminente e duradouro para os Estados Unidos”.
Vários democratas do Congresso apresentaram um parecer amicus curiae em apoio a essa ação judicial em março. Washington, afirma o documento, “não é o quintal do presidente para reformar, reajardinar e construir como bem entender”.




