Três petroleiros iranianos conseguiram furar o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos, levando 5 milhões de barris de óleo para fora do golfo Pérsico na quarta-feira (15).
A informação é da consultoria Kpler, referência no monitoramento de tráfego marítimo, e foi revelada pela agência France Presse nesta sexta (17). Até a quinta (16), a Marinha dos EUA dizia que nenhum navio sob as restrições do bloqueio havia passado por suas forças no golfo de Omã, e que 13 haviam dado meia-volta.
O embargo começou na segunda (13), após ordem do presidente Donald Trump para pressionar a posição do Irã nas travadas negociações de paz entre os dois países —EUA e Israel travaram uma guerra de cinco semanas com a teocracia que desde o dia 7 está em cessar-fogo, que expira na próxima terça (21).
Pela medida, quaisquer embarcações indo ou vindo de portos iranianos não poderiam deixar o golfo. Os navios que a Kpler conseguiu localizar deixando a área são petroleiros de grande capacidade e que já estavam sob embargo dos EUA.
Não se sabe o destino do Deep Sea, do Sonia 1 e do Diona, embora provavelmente eles se dirijam à China, que em 2025 teve no Irã o seu terceiro maior fornecedor de petróleo. Os navios estão com seus sistemas de posicionamento por satélite desligados, o que torna sua localização difícil.
A Kpler não disse como os identificou, mas provavelmente contou com alguma triangulação ou informação no mar, por rádio por exemplo. A empresa opera o site MarineTraffic, que mostra mapas com todos os navios no mundo, e lá a última posição dos três navios está desatualizada.
Segundo a empresa, seis navios transitaram por Hormuz na quinta, todos com autorização americana. Nesta sexta, há ao menos três deixando a área, inclusive um petroleiro do Paquistão, país que está mediando os esforços de paz entre EUA e Irã.
A questão do trânsito por Hormuz é uma das mais sensíveis do conflito. O Irã usou o controle militar que tem sobre a via, por onde passava antes da guerra um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito, para pressionar economicamente Trump.
Ao restringir o tráfego a 10% do usual, Teerã viu os preços do petróleo e gás explodirem, flutuando na casa dos US$ 100 o barril referencial de óleo Brent. Antes do conflito, a previsão do Banco Mundial era de que 2026 tivesse os menores valores da commodity da história recente, abaixo dos US$ 60 o barril.
Com isso, ao lado de objetivos difusos divulgados ao longo do conflito, como a questão central do programa nuclear dos aiatolás, a reabertura de Hormuz entrou na agenda. Nesse contexto, o Irã dobrou a aposta e anunciou ter minado a rota usual do estreito, por entre suas águas territoriais e as de Omã.
Com isso, o Irã forçou um novo caminho passando por sua área de controle e passou a exigir pedágio dos navios com carga. Não se sabe se a medida chegou a ser implementada, pois a reação americana foi impor o bloqueio a seus portos.
O impasse está colocado e deve marcar a nova rodada de negociações entre os rivais, que pode ocorrer neste fim de semana no Paquistão. Alternativamente, a trégua poderá ser estendida, mas nenhum dos lados confirma isso ainda.
A questão fez Trump se irritar com seus aliados ocidentais na Otan, a quem chamou de covardes por não querer enviar navios de guerra para a região. A crise fez o americano até ameaçar deixar o clube militar, fundado pelos EUA em 1949.
Como reação, França e Reino Unido realizam nesta sexta uma reunião com outros 40 países para discutir um plano para o monitoramento da livre navegação em Hormuz, mas apenas quando a guerra estiver solucionada de forma definitiva.
O premiê britânico, Keir Starmer, comandará o encontro presencialmente ao lado do presidente Emmanuel Macron em Paris. No cardápio estão alternativas como a formação de uma força marítima para patrulhar as rotas de navegação e o esforço para localizar minas navais e desativá-las.




