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Libaneses voltam para casa após início do cessar-fogo – 17/04/2026 – Mundo

Pessoas deslocadas pela guerra no Líbano começaram a voltar, nesta sexta-feira (17), a cidades e bairros devastados. Muitas encontraram suas casas destruídas ou inabitáveis e evitaram permanecer por medo de que o cessar-fogo entre Hezbollah e Israel fracasse.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quinta-feira (16) um acordo de cessar-fogo de dez dias entre Beirute e Tel Aviv, mas que autoridades dos dois lados ameaçaram romper em caso de violações. A trégua entrou em vigor à meia-noite de sexta-feira (17) no horário do Líbano (18h de quinta em Brasília).

O Exército libanês denunciou supostos descumprimentos por parte do governo de Binyamin Netanyahu horas após o início do acordo —e pediu aos cidadãos que adiem o retorno a vilarejos do sul. Já o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que a operação militar no Líbano “não terminou”.

A guerra começou quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro. O Líbano foi arrastado pelo conflito após Hezbollah, aliado de Teerã, lançar foguetes contra o território israelense em 2 de março.

Na manhã desta sexta, um engarrafamento se formou na ponte de Qasmiyeh, que liga a região de Tiro, no sul do Líbano, ao restante do país. A ponte sofreu danos na quinta-feira devido a ataques israelenses, mas o Exército fez os reparos necessários para permitir o tráfego de veículos. Segundo o governo libanês, 13 pessoas morreram na ofensiva, realizada horas antes do início do cessar-fogo.

A população ignorou as advertências do Exército israelense, que pediu aos moradores que não retornassem para a zona ao sul do rio Litani e mantém a ocupação da área de fronteira. Alguns habitantes, porém, aproveitaram o cessar-fogo apenas para buscar suas coisas.

“Há destruição e não dá para viver. Não dá. Estamos pegando nossas coisas e indo embora de novo”, disse Fadel Badreddine, que visitava a cidade de Nabatieh, em grande parte destruída, com sua mulher e filho.

“Que Deus nos conceda alívio e acabe com tudo isso de forma permanente —não temporária — para que possamos voltar às nossas casas.”

A guerra matou mais de 2.100 pessoas no Líbano e forçou cerca de 1,2 milhão a deixarem suas casas, segundo autoridades libanesas. Israel ordenou a evacuação de moradores de grandes áreas do sul, dos subúrbios do sul de Beirute e de outras regiões durante a guerra.

A maior parte dos deslocados pertence à comunidade muçulmana xiita. Israel destruiu vilarejos libaneses no sul com o objetivo de criar uma “zona de amortecimento”, afirmando que a medida visava proteger cidades do norte de Israel contra ataques do Hezbollah.

O Hezbollah lançou centenas de foguetes e drones contra o país vizinho durante a guerra. Dois civis e 13 soldados israelenses foram mortos desde 2 de março, segundo Tel Aviv.

Trump disse que os países vizinhos vão trabalhar por um acordo a longo prazo, mas o cessar-fogo deixa grandes questões em aberto. Não exige que Israel retire suas tropas do sul do território libanês, e o Hezbollah afirma manter “o direito de resistir”.

Lina Khatib, pesquisadora associada do instituto de políticas Chatham House, em Londres, disse que é provável que haja “continuidade das atividades israelenses no sul do Líbano”.

“Mesmo que haja violações militares dos termos do cessar-fogo, isso não necessariamente significará o abandono do compromisso político das diferentes partes com os termos do acordo”, afirmou.

Trump disse que o Líbano concordou em “cuidar do Hezbollah”. Netanyahu afirmou que a principal exigência de Israel continua sendo que o Hezbollah seja desmantelado. O republicano conversou por telefone com seu homólogo libanês, Joseph Aoun, que agradeceu a ele pelos esforços de “garantir paz e estabilidade duradouras” na região.

Após falar sobre a trégua, o americano ainda acrescentou ter convidado Aoun e Netanyahu para um encontro na Casa Branca. “Ambos os lados querem ver a paz, e acredito que isso acontecerá rapidamente”, disse. Segundo ele, a reunião pode acontecer nos próximos dias.

O americano também afirmou, em um post nas redes sociais, que espera que o Hezbollah “se comporte de maneira adequada e correta” no período de dez dias do cessar-fogo.

Fonte: Folha de São Paulo

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