Jeffrey Epstein morreu em 2019, mas seu material genético ainda pode estar por aí. Emails e registros dos arquivos de Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça indicam que ele vinha armazenando esperma antes de sua morte e não queria que o banco de criopreservação o descartasse em caso de morte.
Epstein depositou seu esperma no California Cryobank em algum momento antes de outubro de 2012 e assinou um novo contrato em 2016. Os arquivos contêm um email de 2012 notificando-o sobre um pagamento de renovação para seu armazenamento, bem como o contrato de 2016 com sua assinatura.
O termo, datado de 9 de maio de 2016, estabelecia as condições do armazenamento do material de Epstein. (O esperma permanecia sob sua propriedade; isso é diferente de doação de esperma.) O contrato especificava que, caso ele morresse, o esperma ficaria sob o controle de seu espólio ou de outro representante legal. O acordo não era de conhecimento público antes da divulgação dos arquivos do Departamento de Justiça, no início de 2026.
Não está claro se o esperma de Epstein ainda está sendo preservado —e, em caso afirmativo, onde. A CooperCompanies, proprietária do California Cryobank desde 2021, disse que o banco “atualmente não armazena nenhuma amostra associada a Jeffrey Epstein”, mas não respondeu a outras perguntas. Um representante do espólio de Epstein não respondeu a múltiplos pedidos de comentário.
Os documentos não indicam quando Epstein armazenou esperma pela primeira vez. Ele se declarou culpado em 2008 na Flórida por solicitar prostituição de uma menor e estava aguardando julgamento por acusações de tráfico sexual quando morreu em uma prisão de Manhattan em 2019. Sua morte foi classificada de suicídio.
Kimberly Mutcherson, professora da Faculdade de Direito da Universidade Rutgers que estuda tecnologia reprodutiva e bioética, disse que a questão de ser ético ou não para um banco de esperma aceitar amostras de um agressor sexual é motivo de debate na indústria de fertilidade.
Algumas pessoas do setor argumentam, disse Mutcherson, que se qualquer pessoa pode procriar fazendo sexo, então qualquer pessoa deveria poder procriar usando tecnologia —e que controlar o acesso a serviços como bancos de esperma com base em caráter, histórico criminal ou outros julgamentos sobre quem é apto a ser pai abriria portas para políticas que, na prática, frequentemente foram usadas para discriminar com base em raça, classe e deficiência.
Ao mesmo tempo, ela acrescentou, é razoável perguntar “se este é um conjunto de circunstâncias em que as pessoas considerariam o uso do esperma dessa pessoa particularmente odiosa”.
Epstein deixou grande parte de seu dinheiro e bens para sua namorada, Karyna Shuliak, por meio de um fundo administrado por seu advogado, Darren Indyke, e por seu contador, Richard Kahn. Cerca de 40 outras pessoas também são nomeadas como potenciais beneficiárias, embora ninguém, incluindo Shuliak, tenha recebido nada ainda. Um advogado de Shuliak recusou-se a comentar.
O documento do fundo não menciona o esperma de Epstein. Naomi Cahn, professora de direito na Universidade de Virgínia especializada em fundos e espólios, disse que qualquer disputa sobre como os termos deveriam se aplicar ao esperma armazenado provavelmente seria resolvida sob as leis das Ilhas Virgens Americanas. A ilha particular de Epstein ficava lá, seu espólio está sendo administrado lá e o documento do fundo especifica que suas disposições devem ser interpretadas sob essas leis.
Cahn disse que a obrigação legal dos administradores é distribuir a propriedade de Epstein nos interesses do fundo e de seus beneficiários. “Eles têm grande discricionariedade desde que exerçam essa discricionariedade de boa fé”, disse ela.
Não está claro como os provedores de tecnologia reprodutiva responderiam se uma beneficiária recebesse o esperma e tentasse usá-lo para engravidar. Sob os princípios éticos geralmente aplicados na indústria, o material poderia ser usado postumamente se Epstein tivesse indicado explicitamente seu desejo, afirmou Louise King, diretora de bioética reprodutiva da Faculdade de Medicina de Harvard.
Mutcherson observou que os provedores poderiam, em algumas circunstâncias, recusar-se a atender um cliente específico, desde que sua decisão não discriminasse com base em uma característica protegida, como a raça.
Pessoas próximas a Epstein disseram pouco antes de sua morte que ele sonhava em espalhar amplamente seu DNA, engravidando mulheres em seu rancho no Novo México.
Registros médicos e emails nos arquivos do Departamento de Justiça mostram que Epstein estava preocupado com sua virilidade. Ele foi tratado para baixa testosterona pelo menos brevemente com um regime que incluía Clomid, um medicamento que pode aumentar a contagem de espermatozoides.
Em um email de 2017, ele enviou a Shuliak um link para um artigo sobre um dispositivo que poderia permitir que ele avaliasse a qualidade de seu esperma. Shuliak prontamente encomendou o aparelho, de acordo com um email de confirmação de envio datado de cinco dias depois.




