O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, se reunirá nesta segunda-feira (27) com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em São Petersburgo. O encontro ocorre depois de Teerã responsabilizar os Estados Unidos pelo fracasso da mais recente rodada de negociações no Paquistão.
Moscou é um dos principais aliados e financiadores internacionais da República Islâmica, e a visita ocorre em um momento de incertezas e aumento de tensão no Oriente Médio. Ao comentar as negociações, Araghchi disse que os americanos apresentaram “exigências excessivas”.
“A abordagem dos Estados Unidos fez com que a rodada anterior de negociações, apesar dos avanços, não alcançasse os objetivos”, afirmou o chanceler, citado pela imprensa estatal iraniana.
Araghchi também disse que a passagem pelo estreito de Hormuz é “uma questão global importante”. A via marítima, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo, está bloqueada por Teerã.
O país persa prometeu sustentar a medida enquanto o bloqueio americano aos portos iranianos continuar.
O site americano Axios, citando funcionários a par das negociações, afirmou no domingo (26) que o Irã enviou uma nova proposta para a reabertura do estreito e encerrar a guerra, mas que adiaria as negociações sobre a questão nuclear.
A agência estatal iraniana Irna mencionou o relato do portal Axios, sem negar as informações. Enquanto isso, o acordo de cessar-fogo é respeitado, mas o impacto do conflito sobre a economia global persiste.
Antes de viajar à Rússia, Araghchi visitou Omã e a capital do Paquistão, Islamabad, onde deveriam ter ocorrido as negociações com os EUA. Também conversou por telefone com seu homólogo turco, Hakan Fidan.
O presidente Donald Trump anunciou no sábado (25) o cancelamento da viagem da missão diplomática americana. O grupo seria liderado pelo enviado especial ao Oriente Médio, Steve Witkoff, e seu genro Jared Kushner.
Segundo o republicano, a viagem é “tempo perdido” e “muito tempo perdido”. “Se quiserem conversar, basta ligar”, escreveu Trump.
A agência de notícias Fars, no entanto, informou que o Irã enviou “mensagens escritas” aos americanos para definir suas “linhas vermelhas” nas negociações, incluindo a questão nuclear e a situação no estreito de Hormuz.
Na outra frente do conflito, Israel e o grupo Hezbollah, aliado de Teerã, trocaram acusações sobre a violação da frágil trégua no Líbano.
Ataques israelenses contra o sul do Líbano deixaram 14 mortos no domingo, incluindo duas crianças. O Exército de Israel informou que um soldado morreu e seis ficaram feridos.
O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no Oriente Médio em 2 de março, quando lançou foguetes contra Israel em vingança pela morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Israel respondeu com bombardeios e hoje ocupa militarmente o sul do país vizinho.




