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HomeMundoDefesa Civil: esperamos ver terra arrasada na Venezuela - 26/06/2026 - Mundo

Defesa Civil: esperamos ver terra arrasada na Venezuela – 26/06/2026 – Mundo

A equipe da Defesa Civil de São Paulo que está a caminho da Venezuela para auxiliar na resposta humanitária aos terremotos que devastaram o país caribenho disse nesta sexta-feira (26) que a previsão é encontrar um cenário de “terra arrasada” no local.

Após o desastre da última quarta (24), o Brasil anunciou envio de ajuda humanitária à Venezuela, levando mantimentos, equipamento especializado e uma equipe de socorristas da Defesa Civil composta por bombeiros militares de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de médicos da Polícia Militar (SP).

O porta-voz da Defesa Civil de SP, o capitão César Tadeu Ribeiro, conversou com a Folha por telefone minutos antes de embarcar. “Esses primeiros momentos são muito difíceis. Prevemos encontrar um cenário de terra arrasada, com poucos recursos para muitas demandas”, afirma o militar. “Nosso objetivo é tentar diminuir a sobrecarga das forças locais, porque os agentes [venezuelanos] precisam ajudar as vítimas e a si próprios e suas famílias.”

“Acho que vamos encontrar um cenário muito inóspito e difícil”, prossegue Ribeiro. “Acredito que as informações que chegam pela imprensa não dão conta da situação, e fica difícil fazer estimativas de mortos, feridos e soterrados.”

Ainda assim, o capitão, que atuou no desastre de Brumadinho (MG) e nos terremotos na Síria e Turquia em 2023, avalia que o número de vítimas fatais tende a aumentar. “As imagens que vimos na Turquia eram muito parecidas com as de agora [na Venezuela]”, afirma —cerca de 60 mil pessoas morreram naquele tremor.

Para o sismólogo Bruno Collaço, do Centro de Sismologia da USP, é muito difícil fazer previsões do número de mortos em terremotos. Segundo ele, estimativas automáticas —como a do serviço geológico dos Estados Unidos (USGS), que fala em 42% de chance de que os mortos fiquem entre 10 mil e 100 mil na Venezuela— podem ter dificuldade de retratar especificidades do terreno e da densidade populacional.

“Em Caracas, o terreno é um pouco mais sedimentar”, explica Collaço. “Isso amplifica as ondas e aumenta a aceleração [do sismo], em comparação com regiões com rochas mais duras. Por isso, estimativas prévias são sempre aproximações.”

Segundo o capitão César Tadeu Ribeiro, entre os equipamentos levados à Venezuela estão ferramentas para rompimento de concreto e resgate de soterrados, entre outros. Ele espera que a equipe, após o pouso, seja enviada diretamente ao estado de La Guaira, o mais atingido pelo desastre.

Em eventos como esse, é praxe que equipes internacionais se coloquem à disposição do governo local ou da ONU, que decidem onde os recursos são mais necessários —seja no resgate direto de pessoas, no estabelecimento de abrigos e hospitais de campanha, ou em tarefas administrativas e logísticas que ajudem familiares a encontrar seus entes queridos.

A equipe da Defesa Civil decolou no início da tarde desta sexta (26) da Base Aérea de Guarulhos com destino a Caracas, com escala em Boa Vista (RR). O trajeto completo deve durar por volta de seis horas. O avião da Força Aérea Brasileira (FAB) deve pousar no aeroporto internacional Simón Bolívar, que foi danificado e está interditado para voos comerciais —o KC-390, entretanto, é capaz de pousar em pistas mais curtas do que as necessárias para aviões comuns.

Além de seis cães farejadores, a equipe leva ainda equipamento médico a fim de montar uma UTI móvel em campo. Os médicos poderão, assim, realizar procedimentos cirúrgicos de emergência, como amputações, que podem ser necessárias após o resgate de pessoas soterradas.

Nesta sexta, agências da ONU pediram que a comunidade internacional se empenhe em auxiliar a Venezuela para impedir que o desastre natural “se transforme em uma tragédia humana maior”.

Fonte: Folha de São Paulo

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