Ivan Cepeda, candidato de esquerda do partido Pacto Histórico, não reconheceu, propriamente, a derrota na eleição à presidência da Colômbia neste domingo (21). Mas afirmou que, caso se confirme o indicativo da contagem preliminar, que aponta vitória do ultradireitista Abelardo de la Espriella, o resultado será validado.
“Somos democratas, longe de nós o autoritarismo e a arbitrariedade”, disse Cepeda, referindo-se aos membros do Pacto Histórico e da coalização Aliança pela Vida.
“Vamos ao escrutínio [a conferência dos votos para a divulgação do resultado final]”, disse mais adiante. Na Colômbia, após a contagem preliminar, os resultados finais são divulgados dentro de alguns dias —o que deve ocorrer ainda nesta semana.
Ele afirmou ainda, sem dar mais detalhes, que os seus advogados pedirão a impugnação de 33 mil mesas de votação no país. “Uma vez que a apuração seja realizada e seu resultado final seja divulgado, e as verificações correspondentes tenham sido feitas, reconheceremos o resultado oficial.”
Cepeda começou seu discurso agradecendo aos 12,7 milhões de votos recebidos. Enquanto falava, no palco de um teatro no agitado bairro de Chapinero, em Bogotá, o público o chamava de presidente.
O ambiente do teatro festivo e alegre foi constante durante a noite, mostrando a esperança de seus apoiadores em uma virada na consolidação dos votos.
Cepeda disse que é inquestionável o movimento que o levou a mais de 48% dos votos no segundo turno da eleição, enquanto o adversário teve 49,66%. Por isso, o candidato de esquerda afirmou estar fazendo um convite ao diálogo, “a um acordo nacional para resolver os grandes problemas”.
O candidato do Pacto Histórico também criticou o que chamou de intervencionismo estrangeiro na Colômbia.
De la Espriella recebeu apoio de Donald Trump, presidente dos EUA —o qual também teve atritos recentes, com direito a ameaças ao governo atual de Gustavo Petro, primeiro presidente colombiano de esquerda.
O ultradireitista disse ter recebido uma ligação de Trump na noite deste domingo parabenizando-o.
No Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, disse que “as agendas de direita continuam triunfando em toda a América”.
Cepeda discursou ainda que não será aceita a que chamou de destruição do ensino público, da natureza, entre outros pontos. Na área ambiental, por exemplo, marcante na Colômbia, Espriella fala em simplificação de autorizações ambientais e fracking —técnica para obtenção de combustíveis fósseis criticada por seu impacto socioambiental.
O candidato de esquerda também afirmou que “com a gente se dialoga, não se impõe”.
Cepeda fez agradecimentos ainda a Petro, comunidades rurais, negras, periféricas e aos povos originários.
Ao fim, citou uma frase do último discurso de Salvador Allende, presidente do Chile de 1970 a 1973, quando sofreu o golpe militar que colocou Augusto Pinochet no poder. “A história é nossa, e os povos a fazem”, lembrou Cepeda.




