Uma delegação dos Estados Unidos liderada pelo diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se nesta quinta-feira (14) com representantes do regime de Cuba. O encontro, em Havana, ocorreu em um momento de tensão entre os dois países, marcado por um bloqueio americano ao fornecimento de combustível que deixa a ilha sem energia por períodos prolongados e provoca uma das maiores crises no país.
De acordo com comunicado divulgado pelo regime, as conversas tiveram como objetivo contribuir para o diálogo político entre os dois países e para esforços de cooperação diante do cenário atual. A reunião ocorreu no Ministério do Interior cubano.
A ilha tem convivido com apagões de até 20 horas diárias, hotéis fechados, voos cancelados e suspensão de coleta de lixo e serviços básicos. Em um cenário de caos, protestos eclodiram por toda Havana na quarta (13). Multidões tomaram as ruas em vários bairros periféricos, bloqueando vias com pilhas de lixo em chamas, batendo em panelas e gritando “Acendam as luzes!” e “O povo, unido, nunca será derrotado!”
Embora tenha aumentado a pressão sobre o regime, Trump disse que representantes dos dois países iriam conversar. No início deste ano, porta-vozes já haviam dito que negociações estavam em curso, mas as tratativas pareciam ter estagnado diante da manutenção do bloqueio americano ao fornecimento de combustível à ilha.
No comunicado divulgado após a reunião, o regime cubano escreveu ter apresentado argumentos para sustentar que a ilha “não constitui ameaça à segurança nacional dos EUA” e defendeu que não há justificativa para a permanência de Cuba em listas americanas de países acusados de patrocinar o terrorismo.
A nota também reforça que Cuba mantém uma posição histórica e consistente de condenação ao terrorismo em todas as suas formas, afirmando que o país “não abriga, apoia, financia ou permite a atuação de organizações terroristas ou extremistas”.
O texto acrescenta ainda que não existem bases militares ou instalações de inteligência estrangeiras em território cubano nem qualquer apoio a ações hostis contra os EUA ou outras nações.
Ainda segundo o regime, o encontro evidenciou interesse mútuo em ampliar a cooperação entre órgãos de aplicação da lei, com foco na segurança nacional, regional e internacional.
Mais cedo nesta quinta, Havana afirmou estar disposto a analisar uma proposta de ajuda de US$ 100 milhões (R$ 500 milhões) dos EUA. Em relação à oferta de Washington, o regime escreveu que a experiência do país em receber assistência internacional, inclusive americana, é “ampla e construtiva”.
Cuba comunicou ainda que, caso haja disposição real de Washington em fornecer ajuda conforme práticas internacionais de assistência humanitária, o regime não colocará obstáculos ao processo.
Ao mesmo tempo, reiterou que as prioridades do país incluem combustíveis, alimentos e medicamentos, e afirmou que a crise humanitária poderia ser aliviada de forma mais rápida com o “levantamento ou flexibilização do bloqueio” imposto pela Casa Branca.
Trump já chegou a afirmar que seria uma “honra tomar Cuba”. O país, que enfrenta há décadas um embargo americano e, nos últimos meses, passou a sofrer restrições ainda mais severas, reagiu com preocupação. Sem entrar em detalhes, o regime afirmou que se prepara para o pior cenário.




