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Trump mina confiança nas eleições dos EUA – 23/04/2026 – Mundo

A campanha de anos do presidente Donald Trump para minar a confiança nas eleições dos Estados Unidos ganhou ampla repercussão entre o público americano, mostra uma pesquisa da Reuters/Ipsos, e pode criar um terreno fértil para desinformação antes das eleições legislativas de meio de mandato.

As chamadas midterms vão ocorrer em novembro e marcam a metade do mantado presidencial. O levantamento mostrou forte divisão partidária sobre a confiança no processo eleitoral. Entre republicanos, há ampla maioria que afirma haver fraude generalizada, apesar da falta de evidência, e que diz apoiar a presença de forças federais de segurança nos locais de votação.

Ao todo, cerca de 46% dos entrevistados disseram concordar com a afirmação de que há um grande número de votos fraudulentos emitidos por não cidadãos nas eleições dos EUA. Entre republicanos, o índice chega a 82%, contra 18% dos democratas e 38% dos independentes.

A preocupação com fraudes em votos por correio ou por ausência atinge 53% dos entrevistados, enquanto 43% dizem não ver problema. A divisão partidária se repete: 83% dos republicanos manifestam preocupação, ante 33% dos democratas.

As respostas indicam que anos de declarações de Trump e seus aliados questionando o sistema eleitoral tiveram forte impacto entre republicanos, sobretudo nas alegações de voto de não cidadãos e na desconfiança sobre votos pelo correio. Ao contrário do que diz o presidente, auditorias e pesquisas acadêmicas apontem que fraudes nesses casos são extremamente raras.

De forma mais ampla, o levantamento sugere que parte significativa dos americanos está mais propensa a aceitar alegações de irregularidades nas eleições de novembro. Os democratas são apontados como favoritos para retomar a Câmara dos Representantes, enquanto o controle do Senado segue em disputa, em meio ao descontentamento com a guerra com o Irã e a inflação elevada.

AS ALEGAÇÕES DE TRUMP GANHAM FORÇA

Kelly Rader, diretora de pesquisa do States United Democracy Center, um grupo apartidário que trabalha para proteger eleições livres e justas, disse que os resultados da pesquisa Reuters/Ipsos apontam para o impacto duradouro de alegações falsas feitas por Trump e seus aliados.

“As pessoas estão reagindo a isso, particularmente os republicanos, porque estão ouvindo líderes em quem confiam, e isso está criando uma vulnerabilidade para que acreditem em mentiras sobre as eleições”, diz ela.

Ela avalia que, apesar da polarização, o sistema eleitoral é resiliente e os estados estão preparados para o pleito.

A pesquisa, feita online com 4.557 adultos e margem de erro de 2 pontos percentuais, mostra apoio bipartidário à exigência de identificação oficial para votar: 77% são favoráveis, incluindo 63% dos democratas e 95% dos republicanos.

Embora as respostas indiquem ampla simpatia pela exigência de identificação de eleitores defendida por Trump, a pesquisa não abordou medidas mais rígidas propostas por republicanos que estão em debate no Congresso.

O Save Act, que exigiria prova de cidadania americana para registrar ou atualizar o cadastro eleitoral em eleições federais, foi aprovado pela Câmara, mas enfrenta dificuldades no Senado. Democratas afirmam que a medida pode levar à exclusão de eleitores.

Ainda assim, 23 estados, em sua maioria governados por republicanos, já adotaram medidas semelhantes.

A pesquisa mostrou que 63% dos republicanos dizem acreditar na alegação falsa de Trump de que a eleição de 2020 foi “roubada” —uma proporção que se manteve praticamente inalterada nos últimos anos, apesar da ausência de evidências que sustentem essas afirmações.

Entre democratas, esse índice é de 9%. Entre independentes, 21%.

CONFIANÇA DE QUE O PRÓPRIO VOTO SERÁ CONTADO

Uma maioria bipartidária de americanos, incluindo 79% dos democratas e 71% dos republicanos, disse confiar, de modo geral, que seus votos serão contabilizados nas eleições —um resultado que Rader destacou como um ponto positivo da pesquisa.

“Essas teorias conspiratórias sobre eleições não fizeram com que as pessoas perdessem a confiança de que seu próprio voto será contado como pretendido”, disse Rader.

Em entrevista ao The New York Times em janeiro, Trump disse se arrepender de não ter mobilizado a Guarda Nacional para apreender máquinas de votação na eleição de 2020. No mês seguite, o presidente afirmou que os republicanos “deveriam nacionalizar a votação”.

A ideia, porém, tem pouco apoio. Apenas 28% dos americanos dizem defender o envio de tropas aos locais de votação. Os republicanos se dividiram, com 45% a favor e 54% contra.

Já a presença de forças federais de segurança nos locais de votação é apoiada por 62% dos republicanos, contra 23% dos democratas e 36% dos independentes.

Fonte: Folha de São Paulo

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