A imagem “Separated by ICE” (separados pelo ICE, em português), feita pela fotógrafa americana Carol Guzy, 70, foi eleita a melhor foto do ano, nesta quinta-feira (23), pelo prêmio World Press Photo. O reconhecimento é considerado o maior do fotojornalismo no mundo.
Na fotografia, publicada pelo jornal Miami Herald, filhas de um homem equatoriano aparecem em desespero, chorando e se agarrando ao seu pai enquanto ele é detido pelo Serviço de Imigração e Alfândega americano (ICE, na sigla em inglês). A cena ocorreu após uma audiência de imigração no Jacob K. Javits Federal Building, em Nova York, em 26 de agosto de 2025.
Segundo a família, o homem não tinha antecedentes criminais e era o único provedor da casa em que moram, no Bronx. Desde então, conta a esposa dele, a família enfrenta dificuldades financeiras e um trauma emocional. Eles têm três filhos, de 7, 13 e 15 anos. “Por favor, entendam que viemos em busca de uma oportunidade melhor para nossos filhos”, disse ela.
Além dessa imagem, o conjunto completo de fotografias de Carol Guzy foi premiado na categoria Reportagem, pela região da América do Norte e Central. Sob o nome “Prisões do ICE no Tribunal de Nova York”, a série foi realizada dentro de um dos poucos prédios federais dos Estados Unidos a que fotógrafos tiveram acesso para documentar o dia a dia desses julgamentos.
O trabalho foi feito em meio ao crescimento de detenções de imigrantes nos EUA, após o governo de Donald Trump suspender uma diretiva que impedia agentes do ICE de realizar operações em locais como escolas e igrejas.
O concurso anual World Press Photo, que acontece desde 1955, adota atualmente uma estrutura regional, separada em seis partes (África; América do Norte e Central; América do Sul; Ásia Ocidental, Central e Sul Asiático; Ásia-Pacífico e Oceania; e Europa) e escolhe as melhores imagens feitas por fotógrafos de mais de 141 países.
Cada região contempla três categorias: Individual, Reportagem e Projetos de Longo Prazo.
Em 2026, 42 vencedores foram selecionados por um júri independente, entre 57.376 imagens enviadas por 3.747 fotógrafos.
Entre os premiados na América do Sul, estão dois brasileiros: o fotojornalista da Folha Eduardo Anizelli, que venceu na categoria Reportagem, e Priscila Ribeiro, premiada na categoria Individual.
No projeto “Aqueles que Carregam os Mortos”, Anizelli retratou a Operação Contenção, a ação policial mais letal da história do Brasil, que deixou 122 mortos no Rio de Janeiro em outubro passado.
Pautado para cobrir uma operação policial de rotina na Vila Cruzeiro, na zona norte do Rio, o fotográfo acabou por encontrar um cenário de guerra, registrando o desespero dos moradores em meio à retirada dos corpos. “Foi a primeira vez que precisei parar para respirar, esperar passar a crise de choro, antes de editar as fotos e enviá-las para a Redação”, diz.
Priscila Ribeiro venceu com a imagem “Um Território de Esperança”, que aborda a situação de assentamentos informais a partir da cena de uma avó, Sandra Mara Siqueira, e seus netos na ocupação do Parque dos Lagos, que abriga 200 famílias em Colombo, cidade no Paraná.
No Brasil, essas e outras produções vencedoras poderão ser vistas em uma exposição aberta ao público. A mostra começa no Rio de Janeiro, em 5 de maio, na Caixa Cultural. Depois, segue para São Paulo (14.jul), Curitiba (27.out) e Salvador (26.jan).




