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Fim da escala 6×1 pode beneficiar mais de 150 mil trabalhadores em AL

A proposta de redução da jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1, pode ter impacto direto sobre cerca de 20 milhões de trabalhadores no Brasil e sobre uma parcela relevante da força de trabalho em Alagoas. Diferente do que muitos imaginam, a maioria da força de trabalho no país e no Estado tem jornada menor, de 40 horas semanais ou menos.

Dados do Ministério do Trabalho mostram que 33,2% dos empregos com carteira assinada no país ainda seguem o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso. Outros 66,8% já cumprem jornadas próximas de 40 horas semanais, no modelo 5×2.

Segundo o Ministério, são quase 30 milhões de pessoas trabalhando 40 horas semanais, em cinco dias, e cerca de 20 milhões trabalhando seis dias por semana, com 44 ou mais horas de jornada semanal.

Em Alagoas, o impacto é proporcional.

Considerando um estoque de cerca de 628 mil trabalhadores formais em dezembro de 2024 (dados da RAIS), entre celetistas (438 mil) e estatutários (190 mil), a aplicação da proporção nacional indica que mais de 200 mil pessoas poderiam estar submetidas à escala 6×1.

Se considerados apenas os empregos com carteira assinada – cerca de 477 mil vínculos formais, segundo o Caged de fevereiro de 2026 -, o número de trabalhadores diretamente afetados ainda supera 157 mil pessoas no Estado.

A proposta em discussão que pode ser aprovada no Congresso prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com adoção do modelo 5×2.

Hoje, servidores públicos e parte dos trabalhadores formais já cumprem jornadas de até 40 horas. A mudança, na prática, amplia esse padrão para segmentos que ainda operam com carga maior e afeta principalmente trabalhadores dos setores de comércio, serviços e indústria, em geral com menor remuneração.

Impacto na renda e na economia

Segundo o Ministério do Trabalho, a redução da jornada com manutenção dos salários teria impacto adicional de 4,7% na massa de rendimentos do país — índice considerado absorvível pela economia.

A avaliação do governo federal é de que a economia brasileira tem condições de sustentar a mudança, desde que haja negociação em setores que operam em regime contínuo.

“O Brasil está em condições de suportar a redução para 40 horas semanais”, afirmou o ministro do Trabalho, Luiz Marinho.

A proposta, no entanto, não é consenso. Entidades do setor produtivo reagiram e divulgaram manifesto contra a medida. Segundo estudo citado pela Federação das Indústrias de Alagoas, o custo adicional com mão de obra pode chegar a R$ 267 bilhões por ano no Brasil.

Nordeste, o impacto estimado seria de R$ 34 bilhões, enquanto em Alagoas a variação ficaria entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,9 bilhão por ano.

Os setores mais atingidos seriam aqueles intensivos em mão de obra, como comércio, construção civil, turismo e alimentação.

“Segundo estudo da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), a redução para 40 horas pode elevar em até R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais na economia brasileira, representando acréscimo estimado de até 7% na folha das empresas. No Nordeste, o impacto pode alcançar R$ 34,3 bilhões, com aumento de até 6,1% nos gastos com pessoal. Em Alagoas, o acréscimo estimado varia entre R$ 1,29 bilhão e R$ 1,93 bilhão, com elevação de até 6,3% nos custos”, diz manifesto da Fiea (veja aqui na íntegra).

O debate ocorre em meio à tramitação da proposta no Congresso Nacional. A expectativa é de que a matéria avance nesta semana na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.

Veja o manifesto do setor produtivo:

Associação de Supermercados, Abrasel-AL, Ademi-AL e Maceió Convention aderem a manifesto sobre jornada



Fonte: TV Alagoas

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