Washington e Moscou afirmaram que trabalharão com o futuro primeiro-ministro húngaro Péter Magyar, que derrotou o líder de longa data Viktor Orbán —um aliado próximo tanto do presidente americano quanto do russo.
Donald Trump disse na quarta-feira à ABC News que Magyar é um “bom homem” que “fará um bom trabalho”. O presidente americano também tentou se distanciar de Orbán, apesar de tê-lo apoiado na campanha para a eleição, que Magyar venceu por ampla margem.
“Ele estava bem atrás”, disse Trump sobre Orbán. “Eu não estava tão envolvido nessa”, acrescentou Trump, apesar de seus múltiplos apoios ao líder húngaro nas redes sociais e de uma ligação ao vivo durante um comício em Budapeste para o qual havia enviado o vice-presidente J. D. Vance.
Magyar disse estar “muito satisfeito que o presidente americano tenha dito que poderemos cooperar bem e que tenha falado de mim em termos bastante amigáveis”.
O Kremlin saudou na terça-feira (14) a sugestão de Magyar de que a Hungria manteria um nível de cooperação com a Rússia em energia, dada a proximidade geográfica. “Por enquanto, podemos notar com satisfação, pelo que entendemos, sua disposição de se engajar em um diálogo pragmático”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, a repórteres. “Há disposição mútua de nossa parte, e então seguiremos nos guiando pelas medidas concretas tomadas pelo novo governo húngaro.”
Magyar prometeu redefinir as relações com Moscou, encerrando o que chamou de regime “fantoche” de Orbán, e deixando claro que sua principal prioridade era restaurar as relações com a UE e a Otan. Mas disse que as importações de energia russa continuariam sendo uma opção.
A Rússia está construindo uma usina nuclear no centro da Hungria e pressionará para que o projeto siga em frente, mesmo que Magyar tenha dito que os planos precisavam ser revistos porque eram proibitivamente caros.
O chefe da estatal Rosatom, Alexei Likhachev, disse a repórteres: “Teremos que passar por um exame sobre a eficácia do projeto, a justificativa de seu preço e outros parâmetros. Estamos absolutamente prontos para esse exame.”
O presidente húngaro, Tamás Sulyok, reuniu-se nesta quarta-feira (15) com Magyar como parte do processo formal para encarregá-lo de formar um novo governo. Magyar disse que pediu a Sulyok, indicado por Orbán, que renunciasse após o novo governo tomar posse.
“Eu disse a ele que, se não deixar o cargo, modificaremos a Constituição”, disse Magyar. Seu partido Tisza tem uma supermaioria no novo Parlamento, que se reunirá pela primeira vez no próximo mês.
O novo governo dialogará com a Comissão Europeia para desbloquear bilhões em fundos congelados da União Europeia assim que tomar posse em meados de maio, disse Magyar.
“O prazo é apertado, bilhões de euros em fundos terão que ser garantidos antes de agosto. Não apenas para chegar em um acordo com eles, mas também lançar os projetos… A Hungria ficou vários anos atrás de outros Estados-membros.”




