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A China começou nesta terça o Ano Novo Lunar sob a previsão de 9,5 bilhões de deslocamentos ao longo dos 40 dias do “Chūnyùn” (do original 春节运输 Chūnjié Yùnshū, ou transporte do Festival da Primavera), a maior migração anual do planeta.
O número supera os cerca de 9 bilhões registrados em 2025 e coincide com esforços de Pequim para reaquecer a demanda doméstica.
Em mais um esforço para estimular a atividade econômica, o governo ampliou o feriado oficial de sete para nove dias, o mais longo já adotado. Também distribuiu ¥ 360 milhões (cerca de R$272 milhões) em vouchers para estimular o consumo em fevereiro.
Até 10 de fevereiro, as ferrovias haviam transportado 1,01 bilhão de passageiros. A previsão é de que a aviação civil registre 95 milhões de viagens no período. O fluxo internacional também deve crescer, com alta projetada de 14% nas entradas e saídas.
O Festival da Primavera é visto como um termômetro econômico. No ano passado, as vendas no varejo cresceram 3,7%, abaixo da expansão de 5% do PIB, enquanto as famílias continuam poupando cerca de um terço da renda.
O período também é de bonança na indústria cinematográfica, com vários lançamentos chegando ao país na semana do feriado. Segundo a agência de notícias Xinhua, a bilheteria do feriado ultrapassou ¥ 1 bilhão (R$ 756 milhões) em três dias, reforçando o peso do festival para o setor de entretenimento.
Além do impacto doméstico, o feriado serviu também para realçar disputas geopolíticas. Segundo o The Guardian, o número de turistas chineses no Japão durante o Ano Novo Chinês deve cair até 60%, após meses de atrito diplomático sobre Taiwan. Coreia do Sul e destinos do Sudeste Asiático ganharam espaço nas reservas.
Por que importa: além do simbolismo cultural, o Ano Novo Lunar funciona como teste antecipado da confiança do consumidor. Viagens recordes e estímulos pontuais podem sustentar o comércio no curto prazo, sinalizando (ou não) um impulso sazonal que por vezes se traduz numa recuperação mais duradoura ao longo de 2026.
pare para ver
“Cavalo e tratador, segundo Li Gonglin”, tela de 1347 produzida pelo pintor chinês Zhao Yong e atualmente parte do acervo do Museu Smithsonian em Washington.
o que também importa
★ Os EUA anunciaram que pretendem ampliar o envio de sistemas de mísseis às Filipinas, mesmo após reiterados protestos da China. Em reunião anual em Manila, os dois aliados condenaram o que classificaram como ações “ilegais e coercitivas” de Pequim no Mar do Sul da China. Washington mantém no norte do país o sistema Typhon, capaz de lançar mísseis Tomahawk com alcance de até 1.600 km, e um lançador antinavio. Autoridades discutem versões atualizadas dos equipamentos para implementação ainda neste ano, com o presidente Ferdinand Marcos Jr. defendendo que a medida tem caráter dissuasório.
★ A CIA divulgou no YouTube um vídeo em mandarim para recrutar militares chineses da ativa e da reserva. Na peça, um oficial fictício de média patente procura a inteligência americana por meio de um canal anônimo e acusa a cúpula de agir em benefício próprio e sustentar-se em mentiras. A publicação ocorre às vésperas da visita de Donald Trump à China, em abril, e três semanas após a queda do general Zhang Yuxia. Em maio de 2025, a agência havia lançado vídeos semelhantes.
★ A China vai proibir, a partir de 1º de janeiro de 2027, o uso de volantes “cortados”, semelhantes a manche de avião, por razões de segurança. A medida, aprovada pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, segue a decisão de banir maçanetas retráteis. A nova regra exige testes de impacto em dez pontos da borda do volante, critérios que modelos recortados não cumprem. Segundo o governo, a mudança tenta reduzir lesões, já que 46% dos ferimentos de motoristas em acidentes envolvem o volante.
fique de olho
A China registrou alta nos casamentos em 2025, revertendo parcialmente o piso histórico do ano anterior e sinalizando impacto das políticas pró-família.
- Foram 6,76 milhões de uniões no ano, avanço de 10,8% sobre 2024, segundo o Ministério dos Assuntos Civis.
- A alta chegou perto de 40% e 30%, respectivamente, em Xangai e em Shenzhen.
Desde março do ano passado, casais podem oficializar o matrimônio em qualquer cidade sem apresentar o hukou, o registro domiciliar que antes obrigava migrantes a voltar à terra natal.
Mais de 450 mil uniões ocorreram sob as novas regras. As províncias também ampliaram licença-matrimônio e benefícios ligados à primeira infância.
O número é visto como termômetro para nascimentos no ano seguinte. Os demógrafos projetam leve alta em 2026, embora ressaltem que a tendência estrutural segue negativa. Em 2025, o país registrou 7,92 milhões de nascimentos e a população caiu pelo quarto ano consecutivo.
Por que importa: menos nascimentos significam menos trabalhadores no futuro e mais pressão sobre previdência e saúde, no momento em que Pequim tenta sustentar crescimento com consumo interno. A alta nos casamentos, portanto, vem como boa notícia e pode gerar algum alívio em 2026. Há um porém: a tendência de jovens adiando filhos, entre outros motivos, devido ao custo de vida elevado nas grandes cidades. Com isso, o efeito desejado pelo governo pode demorar.
para ir a fundo
A Câmara Chinesa de Comércio do Brasil abriu inscrição para interessados em participar da PFP Expo, evento em Guangzhou dedicado à indústria de impressos, empacotamento e etiquetagem que acontece nos dias 4 a 6 de março. Empresários que queiram integrar a delegação brasileira podem entrar em contato neste link.
O BRICS Policy Center, no Rio de Janeiro, recebe no dia 09 de março a professora Karin Vazquez para discutir o processo de construção e transformação do Sul Global. O evento é gratuito e as inscrições podem ser feitas aqui.




