Preso nessa terça-feira, 21, o comerciário colombiano Luis Carlos Rivera Rivera, de 47 anos, teve a prisão mantida pela Justiça de Alagoas após audiência de custódia realizada nessa quarta, 22. Ele é suspeito de estupro de vulnerável contra a própria enteada, uma adolescente de 13 anos. Os abusos teriam começado quando ela tinha apenas sete anos.
Como os abusos ocorriam
De acordo com o boletim de ocorrência, obtido com exclusividade pela reportagem do TNH1, a mãe da vítima soube dos crimes através da escola onde a menor estuda, no último dia 17, depois que a menina contar um abuso ocorrido no dia anterior ao setor Atendimento Educacional Especializado da unidade de ensino. A mulher de 26 anos foi até a delegacia e solicitou uma medida protetiva para a filha.
O relato da adolescente mostra incômodo, inicialmente, com a mudança de endereço. Porém, no decorrer do depoimento para a escola, ela disse que “odiava quando o padrasto ficava bêbado”. Depois, a menor verbalizou que Luis Carlos tinha o costume de entrar no quarto dela sem autorização, com argumentos variados, como “deixar o ventilador do jeito que ela gosta” ou “procurar a mamadeira da irmã embaixo dela”.
A adolescente disse que os abusos começaram quando ela tinha sete anos de idade, mas a mãe não sabia, porque nunca havia comentado com ninguém. Ela também afirmou que a mulher nunca estava em casa quando o crime ocorria.
A menina de 13 anos, por último, confirmou que o homem a tocou nas partes íntimas e tentou a conjunção carnal, mas não continuou porque ela chorou.
Comportamento do padrasto no dia a dia
Recentemente, Luis Carlos teria falado para a enteada que sabia que o que fazia era errado mas “não conseguia parar”. A adolescente disse que não contou para a mãe por medo, porque ela é brava e “iria causar ainda mais brigas entre eles”. Além disso, a menor disse que não comentou com psicólogo pois “ele é homem e não se sentia à vontade”.
Ainda segundo a adolescente, o colombiano também fazia várias “brincadeiras” com ela, como rir do pé, do cabelo e dos dentes dela. Ela disse ter ido dormir aos prantos várias vezes por conta disso.
De acordo com o profissional da escola que a ouviu, a menina disse que se achava “feia”, apresentando sinais de baixa estima. Ela também reclamou que a mãe fala que o companheiro é um “brincalhão” e que a filha é “muito fresca”.
O que disse a defesa do colombiano
A defesa do colombiano pediu a revogação da prisão, com base nos fatos dele ter residência fixa, vínculo empregatício e ser o provedor da família. Luis Carlos também disse que tem uma cirurgia de hérnia umbilical marcada para a próxima terça (28), no Hospital Regional da Mata, em União dos Palmares – mesmo município onde residia com a companheira, a filha do casal – uma bebê de um ano e quatro meses – e a vítima.
A advogada do suspeito de estupro também argumentou que a mãe estava “muito confusa” no momento da denúncia, e que teria sido “induzida pelo Conselho Tutelar” a agir contra Luis. Ainda de acordo com a defesa, a adolescente também “não sabia o que tinha falado para a escola”. Além disso, ela disse que a mãe nunca teria presenciado os momentos em que o crime ocorreu.
O Ministério Público do Estado de Alagoas, que ofereceu a denúncia, disse não “haver um fato novo que pudesse reverter a decisão anterior da Justiça”. Com isso, o juiz Vinícius Garcia negou a liberdade ao colombiano.




