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HomeMundoTrump e Lula: aproximação fortalece EUA ante China - 13/05/2026 - Mundo

Trump e Lula: aproximação fortalece EUA ante China – 13/05/2026 – Mundo

O ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil Thomas Shannon afirmou que a aproximação entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fortalece a posição de seu país antes da reunião entre o republicano e o líder chinês, Xi Jinping.

Trump desembarcou na China nesta quarta-feira (13) para uma visita oficial. Para Shannon, que foi embaixador de 2010 a 2013, o presidente americano chega às negociações com Pequim em uma posição mais confortável ao “consertar” a relação com o Brasil, especialmente em áreas consideradas estratégicas pelos americanos, como minerais críticos e terras raras.

“Para o presidente Trump poder entrar em suas reuniões com o presidente Xi sabendo que consertou a relação EUA-Brasil, e que é uma relação agora muito focada em minerais críticos e terras raras, será uma carta importante para Trump jogar”, afirmou Shannon em entrevista a jornalistas durante um evento promovido pelo jornal Valor Econômico em Nova York.

O ex-embaixador afirmou que a competição entre Washington e Pequim será definida pela capacidade econômica e tecnológica das potências. “A competição no século 21 será definida em termos econômicos, e o país que dominar a competição econômica será aquele que dominar a tecnologia“, disse.

Nesse contexto, o Brasil ganha importância por suas reservas minerais e pela capacidade crescente em áreas de alta tecnologia, como inteligência artificial, segundo o diplomata. Ele afirmou ainda que o Brasil pode assumir um papel relevante na estabilização das relações entre EUA e China, mesmo sem ter planejado isso inicialmente.

“Acho que o Brasil acabará desempenhando um papel na forma como EUA e China se relacionam, mas acredito que será um papel que ajudará a estabilizar essa relação”, afirmou. Ao comentar a posição diplomática brasileira, o ex-embaixador disse que o país historicamente busca manter “autonomia estratégica” e evitar alinhamentos automáticos com os países.

“O Brasil sempre buscou manter independência em sua política externa enquanto persegue os interesses brasileiros”, disse.

Segundo ele, os EUA precisam ampliar sua presença na relação bilateral para garantir que o Brasil consiga “seguir pelo meio do caminho”, aproveitando as relações com os dois lados.

Questionado sobre o encontro entre Lula e Trump, que aconteceu poucos dias antes da visita do republicano à China, o diplomata também indicou que um possível acordo comercial entre Brasil e EUA pode avançar antes das eleições presidenciais brasileiras.

“Meu palpite é que veremos algo dentro de 30 dias ou muito próximo disso”, falou, ao comentar as negociações envolvendo tarifas comerciais.

Ao ser questionado sobre o que Trump espera do Brasil para fechar um acordo com os americanos, o ex-embaixador afirmou que o interesse vai além dos números do superávit comercial com os EUA. “Haverá algum tipo de compromisso em relação a minerais críticos e terras raras. Acho que, para o presidente, é isso que ele quer poder mostrar”, afirmou Shannon.

Lula e Trump

O encontro entre Lula e Trump também foi discutido em outros painéis do evento. Em um deles, o ex-deputado estadual republicano Joe Borelli afirmou que a política externa do presidente americano é baseada em relações pessoais com aliados improváveis como o Lula. Também observou que Trump expressou gostar de negociar com o petista.

Porém, apontou que, apesar da boa atmosfera, a reunião demonstrou não ter gerado acordos práticos imediatos. Para ele, o encontro foi um “photo op”, ou seja, uma oportunidade para fotos entre os líderes, que “não houve resultado material”, apenas as partes que se comprometeram em ter “mais promessas no futuro”.

Ele observou que a ausência da imprensa no Salão Oval demonstra a tese de que não havia nenhum acordo para anunciar entre os países. Na agenda de Trump, estava previsto que os líderes abririam para a imprensa –o chamado “press spray”. O protocolo, porém, foi alterado.

De acordo com interlocutores do Planalto, a equipe de Trump resistiu inicialmente à mudança, sob o argumento de que aquele era o protocolo padrão das reuniões oficiais. O lado brasileiro, por sua vez, disse já ter passado por experiência semelhante na Malásia e considerava que o formato não havia sido produtivo.

O acordo final previa que os presidentes falassem com a imprensa apenas no meio do encontro, depois da reunião privada e antes do almoço oficial. Porém, isso não aconteceu, e os líderes mantiveram a reunião de três horas a portas fechadas.

Após um ano marcado por tarifas e sanções, a relação bilateral aparenta um bom momento e, ao final, os presidentes acertaram um prazo de 30 dias para que os dois países trabalhem juntos em meio a investigação da Seção 301, que tem, entre outros fatores, o Pix como alvo.

O ex-deputado republicano sugeriu que o presidente poderia aceitar um acordo limitado em 30 dias apenas para “marcar um ponto” e dizer que fortaleceu a parceria com o Brasil, enquanto Lula poderia dizer que “enfrentou o cara mau” e obteve concessões.

O grande tema pendente nessas negociações, segundo Borelli, são os minerais de terras raras. Ele acredita que, se as negociações avançarem bem nesse setor, Trump passará a elogiar Lula publicamente, chamando-o de “o melhor” e celebrando o “melhor acordo já feito”.

Apesar da possibilidade de avanços, o ex-deputado afirmou que não consegue imaginar um cenário em que Trump não prefira a vitória do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“Seria difícil imaginar [que Trump não apoie Bolsonaro], dada a relação dele com o pai, dada a relação do próprio filho dele com a família Bolsonaro. Trump teve relações bem-sucedidas com países quando teve relações bem-sucedidas com os chefes de Estado. Então, caso Bolsonaro vença, a relação talvez fosse mais produtiva.”

Já a analista política democrata Mary Anne Marsh, que também estava no mesmo painel, discordou e disse que a continuidade do governo Lula é melhor para a democracia tanto no Brasil quanto nos EUA, pois mantém ambos os países no “trilho democrático”.

A jornalista viajou a convite do Lide

Fonte: Folha de São Paulo

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