O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que “não vai enviar soldados para lugar algum”, mas que, se fosse, não comunicaria à imprensa. Trump fez a afirmação na Casa Branca durante encontro com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, nesta quinta-feira (19).
O presidente não deixou claro se isso significa que não haverá operação terrestre com envolvimento dos EUA no Oriente Médio. Ele voltou a justificar a guerra, que está em seu 20º dia, e disse que o “Irã representa uma ameaça para o Oriente Médio, mas também para todo o mundo”.
Em entrevista ao New York Post, por exemplo, Trump já havia dado versão diferente desse objetivo dos EUA. “Eu não fico com medo de enviar tropas terrestres —tipo, como todo presidente diz, ‘Não haverá tropas no solo.’ Eu não digo isso. Eu digo ‘provavelmente não precisamos delas’ ou ‘se elas fossem necessárias'”.
Apesar das constantes negativas, na prática, os EUA enviaram na semana passada fuzileiros navais para o Oriente Médio. Este foi o primeiro deslocamento de forças usadas em operações terrestres para a guerra, embora o número de militares envolvidos não sugira algo além de ações pontuais.
Ainda no Salão Oval, Trump foi questionado por um repórter japonês acerca do motivo pelo qual o governo americano não avisou os aliados europeus e asiáticos sobre os ataques no Irã. O republicano, que não consultou nem o Congresso dos EUA para iniciar a ofensiva, retrucou dizendo: “Quem sabe melhor que o Japão em surpreender, não é mesmo? Por que vocês não me avisaram sobre Pearl Harbor?”.
A comparação é uma referência ao ataque militar surpresa do Japão contra os Estados Unidos na base naval de Pearl Harbor, no Havaí, durante a Segunda Guerra Mundial. Na época, o ataque matou mais de 2.400 pessoas e foi a deixa para a entrada dos EUA no conflito global.
“Quando entramos, entramos para valer. Queremos surpreender e, por causa dessa surpresa, nos primeiros dias já antecipamos 50% [dos objetivos]. Se eu falar a todos, não é mais uma surpresa”, argumentou o presidente.
De acordo com uma reportagem do jornal The New York Times, o Pentágono solicitou ao Congresso US$ 200 bilhões para financiar a guerra. Questionado sobre a cifra, o republicano afirmou que se tratava de “um pequeno preço a se pagar” para manter as Forças Armadas equipadas em meio aos conflitos. “Queremos estar na melhor forma que já estivemos.”




