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Trump culpa Zelenski, não Putin, por atraso em acordo – 15/01/2026 – Mundo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse à agência de notícias Reuters que a Ucrânia, não a Rússia, está atrasando um possível acordo de paz para o conflito, iniciado em 2022. A retórica vai na contramão do discurso de aliados europeus, que têm argumentado de forma consistente que Moscou tem pouco interesse em encerrar sua ofensiva no território ucraniano.

Em uma entrevista exclusiva à agência de notícias Reuters no Salão Oval na quarta-feira (14), Trump afirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, está pronto para encerrar sua invasão da Ucrânia. Segundo o republicano, Volodimir Zelenski é quem se mostra mais reticente.

O Kremlin afirmou nesta quinta-feira (15) que concorda com as falas de Trump. Na conversa de cerca de 30 minutos, o americano também comentou sua campanha contra a imigração e outros temas da sua política externa, como a guerra na Faixa de Gaza, a investida contra a Groenlândia e as tensões com o Irã.

Questionado sobre uma pesquisa Reuters/Ipsos que mostrou que há pouco apoio entre americanos à ideia de os EUA assumirem o controle da Groenlândia, o presidente chamou o levantamento de “falso”.

O republicano vem ameaçando tomar a ilha, hoje território autônomo dinamarquês. Um primeiro encontro de alto nível entre delegações dos EUA e da Dinamarca foi realizado na quarta, em Washington, e acabou sem nenhum acordo no horizonte.

Já em relação ao Irã, Trump não quis dar detalhes sobre o que gostaria de ver acontecer, recusando-se a pedir a derrubada do regime. Ele também se negou a dizer que apoiaria o príncipe herdeiro iraniano no exílio, Reza Pahlavi, como um possível líder futuro. “Não sei como ele se sairia dentro do próprio país, e ainda não chegamos a esse ponto”, disse. “Temos que levar isso um dia de cada vez.”

Ainda sobre questões do Oriente Médio, o presidente comentou o conflito em Gaza. Apesar de afirmar que havia trazido paz para a região, Trump reconheceu que o Hamas ainda não havia se desarmado —uma condição do acordo de cessar-fogo costurado por ele.

Ele admitiu que ainda não estava claro se isso aconteceria. “Eles nasceram com uma arma na mão. Então, vamos ter que descobrir se vamos ou não conseguir concluir isso.”

O republicano disse que manterá sua política anti-imigração nos EUA, com o envio de agentes federais para cidades americanas. Ele defendeu que suas ações haviam retirado “milhares de assassinos” do país, sem apresentar dados que comprovem a afirmação.

No mesmo dia, um agente de imigração atirou em um imigrante venezuelano em Minneapolis. O caso ocorreu uma semana após uma mulher americana ter sido morta na mesma cidade após levar um tiro de um funcionário do ICE.

Trump afirmou que “houve muito pouco respeito demonstrado à polícia e aos agentes do ICE”, referindo-se à morte de Renee Nicole Good. “Foi uma situação difícil”, acrescentou.

O presidente ainda comentou as eleições de meio de mandato deste ano, as chamadas “midterms”. Os americanos vão às urnas em novembro para renovar toda a Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado, além de governadores e outros cargos estaduais e locais.

A disputa é especialmente relevante porque os republicanos têm atualmente uma maioria acirrada na Câmara, de apenas três assentos. Historicamente, as midterms costumam favorecer o partido fora do poder na Casa Branca.

Trump expressou frustração com a possibilidade de o Partido Republicano perder o controle do Congresso. “É algum tipo de coisa psicológica profunda, mas quando você ganha a Presidência, não ganha as eleições de meio de mandato”, disse Trump.

Fonte: Folha de São Paulo

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