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Timmy, baleia que comoveu a Alemanha e o mundo, está morta – 16/05/2026 – Mundo

Timmy morreu. A carcaça encontrada na quinta-feira (14) próxima a ilha de Anholt, na Dinamarca, é mesmo da baleia que comoveu e dividiu a Alemanha. A saga foi encerrada neste sábado, após uma especialista da Agência Dinamarquesa de Proteção Ambiental confirmar a identificação.

“Agora podemos confirmar que a baleia-jubarte encalhada perto de Anholt é a mesma que encalhou anteriormente na Alemanha e que foi resgatada”, disse Jane Hanse, chefe da agência, em comunicado reproduzido pela TV dinamarquesa.

A operação de resgate bancada por dois milionários alemães, no começo deste mês, custou cerca de € 1,5 milhão e foi contestada por diversos especialistas. Timmy, Hope ou simplesmente baleia, como foi chamada desde o começo da novela, há mais dois meses, encalhou pelo menos quatro vezes no litoral alemão.

No último episódio da série, próximo a ilha Poel, após determinar que baleia deveria receber apenas “cuidados paliativos”, o governo do estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, que tinha jurisdição sobre o caso, cedeu à pressão popular e permitiu a tentativa de transferir o animal para mar-aberto.

“As pessoas que acreditaram nessa, perdão pelo termo, estúpida missão de resgate, vão achar que, por mágica, Timmy está livre e feliz. Mas eu acho que ele morreu”, disse à Folha, na semana passada, Peter Madsen, professor do departamento de biologia da Universidade de Aarhus, na Dinamarca.

Segundo cientistas, Timmy procurou as águas rasas do mar Báltico, no norte da Alemanha, justamente porque estava debilitado. ” Acho que procurou um lugar para descansar e ficar tranquilo”, disse Daniela von Scharper, especialista do Greenpeace, que sofreu perseguição e abuso nas redes sociais após declarar-se contra qualquer tipo de remoção do animal.

O Greenpeace e outras entidades de ambientalistas, como a Sea Sheppard, participaram inicialmente de tentativas de resgate, mas desistiram ao perceber a renitência do bicho em buscar as águas rasas da região.

Falando à imprensa alemã, na quinta-feira, Madsen disse acreditar que Timmy não resistiu ao esforço da remoção. Liberada próximo ao litoral de Skagen, no norte da Dinamarca, onde o mar Báltico encontra o mar do Norte, sua carcaça deve ter alcançado a ilha de Anholt, cerca de 200 km ao sul, por força das marés.

Ao concordar com a operação de remoção, o governo de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental impôs condições, que acabaram não sendo cumpridas: que Timmy não sofresse, que a operação fosse registrada em vídeo e que o animal fosse monitorado após sua liberação. Till Blackhaus, ministro estadual de Meio Ambiente, cargo equivalente a secretário, chegou a dizer que poderia tomar medidas legais contra os responsáveis pela iniciativa.

Ainda não está claro se a identificação de Timmy, agora, fornecerá elementos para um eventual processo.

À reportagem, Madsen lamentou o dispêndio de recursos sem respaldo científico. “Se eles realmente se importam com baleias e o meio ambiente marinho, deveriam investir esse dinheiro na remoção de redes de pesca. Isso ajudaria muito mais.”

Ao morrer, baleias afundam no mar. O início da decomposição cria gases, que levam a carcaça de volta à superfície, como parece ter ocorrido com Timmy agora. Em uma situação natural, seu corpo começaria a ser consumido por pássaros e outros animais marinhos, descer novamente ao fundo e continuar a prover alimentação para outros peixes. No final, até seus ossos seriam consumidos por microorganismos.

“Faz parte da vida a gente morrer”, disse Madsen, lembrando que a morte de Timmy permitiria a subsistência de vários outros seres. Discute-se agora se a prepotência de tentar mantê-lo vivo gerará algum dividendo para futuros esforços de proteção da vida marinha.

Fonte: Folha de São Paulo

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