spot_img
HomeMundoTimmy: baleia-jubarte é encontrada morta na Dinamarca - 15/05/2026 - Mundo

Timmy: baleia-jubarte é encontrada morta na Dinamarca – 15/05/2026 – Mundo

Nesta quinta-feira (14/05), uma baleia morta foi avistada flutuando perto da ilha dinamarquesa de Anholt, e especialistas especulam que pode se tratar de Timmy, que foi solta no início de maio a cerca de 200 quilômetros do local, numa operação que gerou bastante controvérsia.

A baleia morta está a cerca de 75 metros da ilha de Anholt e provavelmente está morta há algum tempo, apontou a Agência Dinamarquesa de Proteção Ambiental (Miljostyrelsen).

Ainda não há confirmação de que se trata mesmo da baleia apelidada de Timmy, que capturou as atenções no fim de março na Alemanha ao encalhar repetidamente na costa do país até ser posteriormente transportada numa operação privada até águas mais profundas no Mar do Morte.

Especialistas acreditam que o animal morto é uma baleia-jubarte de tamanho semelhante. Morten Abildstrom, da Agência Dinamarquesa da Natureza (Naturstyrelsen), disse à imprensa alemã que um pedaço da nadadeira caudal foi removido e será levado para a Alemanha para análise. A nadadeira e a pele da baleia jubarte podem fornecer pistas sobre sua identidade.

“Tanto os pesquisadores alemães quanto os dinamarqueses com quem conversei acreditam que, muito provavelmente, trata-se da baleia-jubarte Timmy”, disse Abildstrom à imprensa dinamarquesa.

Se a baleia morta que encalhou perto da ilha dinamarquesa de Anholt for de fato a baleia-jubarte Timmy, especialistas do Museu Oceanográfico Alemão esperam examinar o animal. “O objetivo é obter informações para futuros encalhes e operações de resgate”, disse uma porta-voz do museu.

A pele do animal morto encontrado perto da ilha dinamarquesa já tem fornecido pistas iniciais sobre sua identidade. Várias estruturas da pele foram observadas e o animal apresentava um arranhão ou dano visível na superfície da pele, que pode ter sido causado pela hélice de um navio.

Fotos também podem ajudar a determinar se a carcaça encontrada na Dinamarca é da mesma baleia que encalhou anteriormente na Alemanha. De acordo com os membros da operação de resgate que transportou a baleia do Mar Báltico para o Mar do Norte em uma balsa adaptada, fotografias da carcaça serão comparadas com registros de Timmy.

Além das fotos, a organização de bem-estar animal WDC afirma que características distintivas, como um padrão de cicatrizes na pele, também podem ajudar a identificar uma baleia.

Secretário alemão de Meio Ambiente evita especular

O secretário de Meio Ambiente do estado alemão Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Till Backhaus, que apoiou a operação privada de resgate no fim de abril, disse não esperar nenhuma conclusão rápida sobre a identidade da baleia morta. Backhaus enfatizou que sua secretaria tem mantido contato próximo com o Ministério do Meio Ambiente da Alemanha e com a Agência Dinamarquesa de Proteção Ambiental. O objetivo é determinar se a baleia morta é mesmo Timmy.

Enquanto não há confirmação, Backhaus disse que pretende evitar tomar parte em especulações. Ele também pediu para que o público evite espalhar “teorias conspiratórias nas redes sociais ou acreditar nelas”.

Drama que cativou Alemanha

Em 23 de março, a baleia Timmy encalhou inicialmente em um banco de areia na costa do estado alemão de Schleswig-Holstein, numa praia chamada Timmendorfer, e isso levou alguns jornais a apelidarem a baleia de “Timmy”.

Após vários dias e uma complexa operação oficial de resgate com o uso de dragas, a baleia conseguiu se libertar, mas pouco depois encalhou novamente, desta vez na Baía de Wismar, no estado vizinho de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.

A essa altura, profissionais de resgate envolvidos na operação afirmaram que a saúde do mamífero vinha se deteriorando rapidamente.

As autoridades decidiram então dar um pouco de descanso para o animal para que estivesse recuperado e pronto para aproveitar a subida da maré. Inicialmente, ela se soltou novamente e a operação pareceu ser bem-sucedida, mas logo depois a baleia evitou seguir para o Atlântico, permanecendo novamente em águas rasas no Báltico.

No início de abril, autoridades locais e especialistas envolvidos no resgate perderam a esperança de salvar Timmy e decidiram abandonar os esforços oficiais, apontando que novas tentativas configurariam crueldade animal e disseram que o melhor seria deixar a baleia morrer em paz no local.

No entanto, a baleia seguiu viva nas semanas seguintes, intensificando o drama e gerando apelos entre o público por mais tentativas de resgate.

Finalmente, na metade de abril, Till Backhaus, secretário do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, anunciou uma mudança de posição em apoio à nova missão de resgate “única”.

Operação polêmica

A nova operação passou a ser financiada com recursos de empresários, entre eles, Walter Gunz, cofundador da rede de varejo de eletrônicos MediaMarkt, que chegou a figurar na lista dos mais ricos da Alemanha.

O empresário não deu ouvidos às críticas de especialistas em baleias e montou a equipe de resgate de acordo com as próprias preferências. Para ele, o risco era inevitável. “Sem tentativa, a baleia certamente morrerá. Tentando, ao menos existe uma chance”, afirmou na ocasião.

Pela operação, o enorme animal seria transportado por centenas de quilômetros do Báltico até águas mais profundas do Mar do Norte em uma espécie de balsa em formato de aquário.

Mas a retomada do resgate também gerou críticas na Alemanha. Kim Detloff, chefe da área de proteção marinha da Associação Alemã de Proteção da Natureza (Nabu), afirmou que a iniciativa ocorreu sob forte pressão pública, em detrimento de avaliação científica.

Especialistas também apontaram que mesmo que a operação fosse bem-sucedida em transportar a baleia até as águas mais profundas do Mar do Norte, as chances de Timmy permaneceriam mínimas, destacando que a saúde da baleia se deteriorou ao longo das semanas de encalhe no Mar Báltico.

Um grupo ligado ao Museu Oceanográfico Alemão, por exemplo, apontou o risco de a baleia se afogar após ser solta em alto-mar, apontando que um animal debilitado pode não ter forças para se movimentar livremente no mar.

A operação privada também foi marcada por desentendimentos entre os envolvidos, com uma veterinária abandonando a iniciativa e acusando dois participantes, entre eles um influenciador, de atrapalhar o resgate.

Libertação provocou críticas e questionamentos

Timmy foi finalmente solto em alto-mar em de 2 maio. Os envolvidos na operação classificaram a empreitada como um “sucesso”, mas logo surgiram questionamentos devido à falta de vídeos do momento da soltura do animal e à ausência de informações claras sobre o rastreador acoplado a ele.

Pouco depois, a controvérsia ganhou novo fôlego após a veterinária Kirsten Tönnies, que integrava a tripulação que transportava Timmy, fazer acusações graves contra os responsáveis pela operação.

Segundo Tönnies, o método usado para retirar o animal da balsa foi agressivo, e ela teria sido impedida de acompanhar a manobra. A principal dificuldade parecia ser a posição em que Timmy ficou após nadar para dentro da balsa. Devido ao tamanho reduzido da embarcação, o animal não podia se virar e nadar em direção ao mar.

As críticas ainda também se concentraram na falta de informações sobre o paradeiro e o estado de saúde de Timmy nos dias seguintes. Após a soltura, os sinais do rastreador instalado na baleia seguiram inconstantes, sem informações sobre a localização da baleia e seu estado de saúde. O transmissor aparentemente não foi testado antes da soltura.

Fonte: Folha de São Paulo

RELATED ARTICLES

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

- Advertisment -spot_img

Outras Notícias