O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou nesta quarta-feira (10) que não irá tolerar os protestos anti-imigração que tomaram as ruas de Belfast, capital da Irlanda do Norte, na noite anterior e desencadearam uma onda de violência contra minorias étnicas que terminou com veículos e casas incendiadas.
Os atos ocorreram após polícia indiciar um sudanês por um ataque com faca que deixou uma pessoa com ferimentos graves no pescoço e na cabeça. Os protestos foram convocados depois que vídeos do caso circularam nas redes sociais e receberam apoio de figuras da direita, entre elas o bilionário Elon Musk.
“Nada pode justificar a violência e a desordem que vimos, que ameaçam nossas comunidades, nem as ações daqueles que as incentivaram, na internet ou em outros lugares”, afirmou Starmer em um discurso no Parlamento.
O premiê disse que “expulsar pessoas de suas casas não é a maneira correta de responder”. Segundo ele, todos os envolvidos nos atos de violência enfrentarão “todo o rigor da lei”. “Está claro que pessoas foram atacadas ontem à noite por causa de sua origem, e eu não vou tolerar isso”, acrescentou. A primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O’Neill, chamou o episódio de “um ato de covardia repugnante”.
O suspeito é Hadi Alodid, 30. O sudanês compareceu ao tribunal nesta quarta e teve a prisão mantida. Ele responde por tentativa de homicídio, posse de objeto com lâmina ou ponta em local público e ameaças de morte.
As manifestações escalaram, e homens mascarados começaram a expulsar famílias de suas casas para depois incendiá-las. Políticos e um pastor local afirmaram que muitas das pessoas visadas eram negras.
Musk e o ativista anti-imigração Tommy Robinson convocavam novos protestos para esta quarta-feira, e o chefe da polícia da Irlanda do Norte anunciou o envio de mais 200 agentes às ruas.
A ministra da Justiça da Irlanda do Norte, Naomi Long, afirmou à Reuters que “atores de má-fé” tentaram explorar o medo e a revolta provocados pelo ataque para atingir pessoas que tinham a mesma cor de pele do suspeito.
O ataque com faca, que não está sendo tratado como terrorismo, ocorre em um momento de tensões intensificadas no Reino Unido após o assassinato de um estudante que foi algemado pela polícia enquanto agonizava por ferimentos de facada, depois que seu assassino, um homem sikh, afirmou falsamente que tinha sido vítima de um ataque racista.
O incidente também segue uma série de protestos contra a imigração, com partidos populistas afirmando que a política de asilo do Reino Unido permitiu a entrada de homens perigosos no país.
A família da vítima, identificada como Stephen Ogilvie, que está internado, divulgou um comunicado em que pediu calma e respeito aos imigrantes. No texto, os familiares pedem privacidade e fazez um apelo para que a indignação provocada pelo caso não resulte em violência.
“Queremos deixar absolutamente claro que os distúrbios ocorridos durante a noite não são bem-vindos e que o protesto pacífico é o único caminho a seguir”, afirmaram.
“Temos muitos migrantes que prestam uma contribuição extremamente valiosa ao nosso país, e dependemos deles para o funcionamento do país. Não queremos que esta terrível tragédia seja usada para dividir as pessoas ou alimentar hostilidades.”
A polícia afirmou que o suspeito morava na região e recebeu permissão para permanecer no Reino Unido em setembro de 2023 após solicitar asilo. Ele havia viajado de ônibus para Belfast em fevereiro daquele ano, partindo de Dublin, após ter voado de Paris para lá em data desconhecida.




