O novo governo da Síria e Israel decidiram criar uma estrutura conjunta, sob a supervisão dos Estados Unidos, com o objetivo de compartilhar informações de inteligência e diminuir as tensões entre os países.
Segundo comunicado divulgado pelo Departamento de Estado americano, após rodadas de negociação, Damasco e Tel Aviv estão comprometidos em alcançar acordos duradouros de segurança e estabilidade.
O acordo prevê a criação de uma célula conjunta de comunicação para facilitar a “troca imediata e contínua” de informações, a coordenação de medidas para desescalada militar, o engajamento diplomático e a identificação de oportunidades comerciais. Tudo sob a supervisão americana.
A estrutura também deverá servir como uma plataforma para resolver disputas com agilidade e evitar mal-entendidos, inclusive de caráter militar.
O comunicado foi emitido após negociações em Paris. Os diálogos contaram com a participação do ministro das Relações Exteriores sírio, Asaad al Shaibani, e foram conduzidos sob a supervisão dos EUA.
As conversas foram as primeiras desde setembro e tiveram como objetivo avançar com um acordo de segurança entre Síria e Israel, países vizinhos que, formalmente, ainda estão em estado de guerra.
Desde a queda do ex-ditador sírio Bashar al-Assad, há cerca de um ano, e a ascensão ao poder de Ahmed al-Sharaa, que no passado integrou o grupo terrorista Estado Islâmico, Israel fez vários bombardeios e incursões militares em território da Síria.
Já as novas autoridades sírias vinham mantendo contatos com líderes Israel, mediados pelos EUA, na tentativa de estabelecer um entendimento sobre segurança. A última rodada de negociações ocorreu em setembro, mas registrou obstáculos, principalmente devido à exigência israelense de criação de uma zona desmilitarizada no sul da Síria.
O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, defende a desmilitarização de toda a faixa territorial que se estende do sul de Damasco até a linha de demarcação estabelecida em 1974, após a guerra árabe-israelense de 1973.
Ao longo do último ano, Israel intensificou suas ações militares na Síria, com centenas de ataques aéreos, incursões terrestres e o deslocamento de tropas para a zona desmilitarizada nas Colinas de Golã, além da linha que separa a parte do território sírio anexada por Israel do restante do país.




