O presidente do Líbano, Joseph Aoun, conversou por telefone nesta quinta-feria (16) com seu homólogo americano, Donald Trump, e o agradeceu por seus “esforços” para buscar um cessar-fogo com Israel e para “garantir paz e estabilidade duradouras” na região, segundo Beirute.
Uma pessoa próxima às negociações ouvida pela agência Reuters afirmou que uma trégua no Líbano pode ser anunciada ainda na noite desta quinta.
A ligação ocorre depois de Aoun ter rejeitado um pedido dos EUA para uma “ligação direta” com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, segundo um funcionário libanês próximo às negociações. Na quarta, Trump anunciou uma ligação entre os líderes dos dois países, que, segundo ele, deve acontecer nesta quinta.
O grupo libanês Hezbollah, em guerra com Israel, propôs também na quarta uma trégua de uma semana a Tel Aviv. A proposta, anunciada pela TV Al-Mayadeen, ligada ao grupo, foi analisada pelo gabinete de Netanyahu, segundo integrantes do governo isralense. Não houve definição, no entanto: a ideia do Hezbollah era parar os combates no primeiro minuto desta quinta.
Israel abriu negociações diretas com o Líbano pela primeira vez desde 1993, mas excluiu o Hezbollah. Na terça (14) houve a primeira rodada de conversas, com mediação dos EUA, em Washington.
Netanyahu afirmou que o principal objetivo da conversa é garantir “o desmantelamento do Hezbollah” e, “em segundo lugar, uma paz sustentável alcançada por meio da força”. O grupo extremista, por outro lado, se opõe repetidamente às conversas entre os governos.
Segundo a Al-Mayadeen, a trégua proposta pelo grupo foi informada por Teerã, que busca esticar o prazo de seu próprio cessar-fogo com os Estados Unidos —que lançaram uma guerra ao lado de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.
Os combates cessaram na semana passada, mas o prazo dado por Donald Trump para um acordo acaba na próxima terça (21). O Irã recebeu uma delegação liderada por Asim Munir, chefe militar do Paquistão —país que sediou a primeira e inconclusa rodada de negociações com os EUA— para enviar nova proposta de conversa com os americanos.
Ainda nesta quinta, o Exército libanês afirmou que ataques israelenses destruíram a ponte Qasmiyeh, que passa sobre o rio Litani, no sul do país, e isolaram a área do resto do Líbano. Segundo o comunicado, as ações mataram uma pessoa e feriram outras três, incluindo “um soldado da unidade estacionada na ponte”.
A agência de notícias libanesa NNA já havia relatado a destruição dessa infraestrutura, “a última ponte entre as regiões de Tiro e Sidon”.
O Exército de Israel afirmou ter ordenado nesta quarta que uma área de cerca de 30 quilômetros da fronteira sul do Líbano até o rio Litani fosse designada como “zona de extermínio” para o grupo Hezbollah.
Israel ocupa partes do sul do Líbano e resiste a qualquer tipo de trégua nos combates com o movimento libanês, argumentando que este continua sendo o principal obstáculo à paz na região.




