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Newsom acusa Trump de investigá-lo por motivação política – 15/06/2026 – Mundo

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, acusou nesta segunda-feira o presidente Donald Trump de ordenar ao Departamento de Justiça que conduza uma investigação politicamente motivada contra ele e sua esposa.

“Donald Trump não está me perseguindo apenas por causa dos meus tuítes maldosos”, disse Newsom em uma declaração em vídeo publicada no X. “Ele está me perseguindo porque estou considerando me candidatar à Presidência.”

Agentes federais em Sacramento, Califórnia, vêm conduzindo diversas investigações relacionadas ao governador, incluindo contra sua esposa, desde 2025, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, que falou sob condição de anonimato à Reuters por não estar autorizada a se pronunciar publicamente. A pessoa acrescentou que as investigações não se originaram em Washington, mas na Califórnia.

Newsom é frequentemente citado como um dos principais candidatos à indicação presidencial democrata de 2028. Com seu mandato atual chegando ao fim, Newsom intensificou sua projeção nacional, visitou estados com primárias antecipadas e afirmou que “estaria mentindo” se dissesse que não está considerando uma candidatura à Casa Branca.

A investigação contra a esposa do governador, Jennifer Siebel Newsom, está relacionada aos seus impostos, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto. Um agente federal, falando sob condição de anonimato, disse que a investigação envolve uma organização sem fins lucrativos cofundada por Siebel Newsom que promove a igualdade de gênero.

A organização sem fins lucrativos, California Partners Project, recebeu dinheiro de alguns doadores que fazem negócios com a Califórnia, e Gavin Newsom solicitou mais de US$ 4 milhões em doações para o grupo desde 2020, conforme mostram os registros estaduais.

Representantes do California Partners Project não responderam imediatamente a um pedido de comentário. A Casa Branca encaminhou as perguntas ao Departamento de Justiça, que se recusou a comentar.

Newsom disse que agentes federais têm batido à porta de membros de sua família, amigos e ex-funcionários nos últimos dias, exigindo registros e vasculhando documentos antigos. “Não porque encontraram um crime. Porque estão simplesmente tentando encontrar um”, disse ele.

As investigações em torno de Newsom se expandiram desde que Todd Blanche assumiu como procurador-geral interino do departamento, afirmou o governador.

Falando diretamente a Trump no vídeo, Newsom disse: “Você pode solicitar meus registros por meio de intimação. Você pode me investigar. Você pode me assediar. Coloque meu nome em todas as listas de inimigos que você tiver, mas deixe minha esposa e minha família fora da sua vingança pessoal.”

Newsom e Trump têm se criticado mutuamente há muito tempo, divergindo em questões como mudanças climáticas, oleodutos e o envio de tropas da Guarda Nacional pelo presidente para o estado democrata.

No ano passado, Trump disse que apoiaria a prisão de Newsom por sua suposta obstrução da aplicação das leis de imigração na Califórnia. Em novembro, promotores federais acusaram a ex-chefe de gabinete de Newsom por atos que ela cometeu antes de trabalhar para ele. Ela se declarou culpada em maio de conspiração para cometer fraude bancária e fraude eletrônica.

Desde que Trump retornou ao cargo para um segundo mandato, seu Departamento de Justiça apresentou acusações criminais contra várias figuras que o presidente tem como inimigos políticos, incluindo o ex-diretor do FBI, James Comey, a procuradora-geral do estado de Nova York, Letitia James, e o ex-conselheiro de segurança nacional, John Bolton.

O departamento também abriu investigações contra autoridades americanas que concluíram que a Rússia interferiu nas eleições presidenciais americanas de 2016 para impulsionar a primeira campanha de Trump, parlamentares democratas que instaram militares americanos a se recusarem a cumprir ordens ilegais e doadores e grupos de arrecadação de fundos de esquerda.

Um levantamento da agência Reuters, publicado em novembro de 2025, constatou que pelo menos 470 pessoas, organizações e instituições foram alvo de retaliação por parte do governo desde o início do segundo mandato de Trump.

Fonte: Folha de São Paulo

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