A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, recebeu nesta sexta-feira (8) o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em um momento de desgaste entre Roma e o governo do presidente Donald Trump. O principal motivo da tensão é a guerra no Irã.
Rubio está na Itália para uma viagem de dois dias que busca, ao mesmo tempo, amenizar a relação da Casa Branca com o papa Leão 14, alvo recente de ataques feitos por Trump, e discutir a irritação de Washington com a recusa italiana em apoiar a ofensiva militar conduzida por EUA e Israel contra o Irã.
Meloni, até recentemente, era considerada uma das principais aliadas de Trump na Europa. A primeira-ministra cultivou uma relação próxima com o republicano e tentou se apresentar como uma ponte entre Washington e outros países da União Europeia que mantinham distância política do presidente americano.
Nos últimos meses, entretanto, os dois governos manifestaram divergências em relação a assuntos controversos. A guerra no Irã, dizem especialistas, colocou Meloni diante de um dilema: manter a lealdade aos EUA ou responder à forte rejeição da opinião pública italiana ao conflito e ao aumento dos custos econômicos em todo o mundo provocados pela crise.
Antes do encontro com Meloni, Rubio se reuniu com o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, que classificou a conversa de positiva. “Estou convencido de que a Europa precisa da América, a Itália precisa da América, e os EUA também precisam da Europa e da Itália”, disse o italiano a jornalistas.
Além de Irã, Meloni e Rubio discutiram a guerra entre Rússia e Ucrânia, as tarifas americanas sobre produtos europeus e o futuro de Cuba, que Washington tenta isolar com bloqueio político e econômico.
A visita ocorreu também após uma crise envolvendo o Vaticano. Os ataques recentes de Trump ao papa Leão 14 atingiram um ponto sensível num país majoritariamente católico como a Itália e levaram Meloni a classificar as declarações do americano de inaceitáveis. O líder republicano chegou a dizer que o sumo pontífice é uma pessoa terrível e fraca após críticas do religioso à guerra no Oriente Médio.
Trump ainda acusou a primeira-ministra de falta de coragem e afirmou que ela decepcionou Washington. Em seguida, ameaçou retirar tropas americanas da Itália. Meloni respondeu na última segunda (4) que não apoiaria uma medida desse tipo, embora tenha reconhecido que a decisão não depende dela.
Mesmo antes disso, a relação entre os dois governos já era de distanciamento. No mês passado, a Itália negou o uso da base aérea de Sigonella, na Sicília, para operações relacionadas à guerra contra o Irã.
O ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, aliado próximo de Meloni, disse depois que o conflito com o Irã ameaça a liderança global americana e acrescentou temer a “loucura de uma escalada nuclear”.
Segundo pesquisadores, a proximidade entre Meloni e Trump pode se transformar em um problema político para a primeira-ministra nas eleições nacionais previstas para o ano que vem.
Além da Itália, Trump vem se distanciando de outro país europeu que é um aliado dos EUA: a Alemanha do premiê Olaf Scholz. A relação entre os governos se deteriorou também após críticas feitas pelo alemão à guerra no Irã: “Os americanos aparentemente não têm uma estratégia. Uma nação inteira está sendo humilhada pela liderança iraniana”, disse ele em Marsberg, durante um debate.
Trump reagiu, afirmando que Merz não sabia do que estava falando. Foi além, anunciando a retirada de 5.000 soldados dos EUA da Alemanha.
Em entrevista coletiva após o encontro com Meloni, Rubio disse que Washington está disposto a ampliar a ajuda humanitária destinada a Cuba, mas acusou o regime de não aceitar a assistência. Ele também afirmou que o encontro com papa, na véspera, foi “muito positivo”, sem entrar em detalhes.




