O governo brasileiro elencou o fim das investigações comerciais contra o Brasil como uma das prioridades da conversa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá com o seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (7).
Em paralelo, o próprio Lula tem dito a aliados que deseja levar ao americano um pedido pelo fim da guerra com o Irã. Segundo um auxiliar, o presidente brasileiro expressou preocupação com os efeitos econômicos do conflito, que tem levado à alta no preço dos combustíveis.
Os dois temas devem permear a reunião entre os líderes, além de discussões sobre combate ao crime organizado, na primeira visita oficial de Lula à Casa Branca, sede do governo americano, desde que Trump tomou posse no ano passado.
Integrantes do governo também se preparam para assuntos que o próprio presidente dos EUA queira abordar, como a exploração de minerais críticos no Brasil. Não há expectativa, porém, de que qualquer acordo seja selado nessa conversa.
Auxiliares de Lula consideram que o debate sobre uma parceria com os EUA em relação a terras raras ainda está em estágio inicial. Um dos argumentos que devem ser levados aos americanos é o de que o Congresso brasileiro ainda deve aprovar um projeto que regulamenta a exploração desses minerais.
A reunião entre Lula e Trump ocorre após um momento de distensão nas relações entre os países. O americano chegou a taxar em 50% os produtos brasileiros, além de ter cancelado vistos de autoridades brasileiras e imposto sanções financeiras, como a Lei Magnitsky, ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Após telefonemas e duas conversas presenciais entre os líderes, Trump revogou as medidas. Continuam em vigor, porém, duas investigações sobre práticas comerciais que os EUA consideram injustas, abertas com base na chamada seção 301, que miram o Brasil.
As duas apurações podem, quando concluídas, gerar a decretação de novas tarifas a produtos brasileiros, o que o governo Lula teme que aconteça. As duas serão encerradas em julho, por isso o tema se tornou ainda mais prioritário para o petista.
As investigações apuram práticas do governo ligadas ao comércio de etanol, desmatamento e o Pix, por exemplo. As empresas americanas de cartão de crédito dizem que o Banco Central concede tratamento preferencial ao sistema de pagamento instantâneo, o que o governo Lula nega.
A intenção de ministros é afirmar nessa reunião que o Brasil já apresentou suas justificativas para provar que nenhuma dessas práticas é prejudicial aos americanos e que os técnicos dos EUA receberam bem esses argumentos.
Lula também deve reiterar que o comércio entre os países é favorável aos EUA, argumentando que aliados de Jair Bolsonaro (PL) é que tentaram convencê-los do contrário com intenções eleitorais.
Sobre segurança pública, o cerne da discussão será ampliar a cooperação existente entre as nações no combate ao crime organizado e evitar que os EUA classifiquem o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas.
Em entrevista nesta terça (5), o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, confirmou que o governo brasileiro deve levar uma proposta de acordo em torno do combate ao crime organizado transnacional durante o encontro.
Em uma prova dessa boa vontade, o governo brasileiro deve levar a Trump dados sobre a parceria aduaneira entre os EUA e o Brasil para apreensão de armas e drogas sintéticas. Segundo a Receita Federal, de maio de 2025 a abril de 2026, foi apreendida meia tonelada de armas saídas dos EUA.
Essa seria uma demonstração de que o Brasil pretende estreitar a cooperação para o combate ao crime organizado, sem necessidade da classificação de organização terrorista, o que pode impactar negativamente a economia brasileira.




