Jesse Jackson, líder dos direitos civis nos Estados Unidos e um eloquente pastor batista criado no Sul segregado do país, morreu aos 84 anos, informou a família em um comunicado nesta terça-feira (17).
“Nosso pai foi um líder servidor — não apenas para nossa família, mas para os oprimidos, os sem voz e os esquecidos ao redor do mundo”, disse a família Jackson.
O pastor foi um colaborador próximo de Martin Luther King e concorreu duas vezes à indicação presidencial pelo Partido Democrata.
Jackson, morador de Chicago, foi diagnosticado com a doença de Parkinson em 2017.
Hábil no trato com a mídia, ele defendeu os direitos dos negros americanos e de outras comunidades marginalizadas desde o turbulento movimento pelos direitos civis dos anos 1960, liderado por seu mentor King.
Jackson enfrentou uma série de controvérsias, mas permaneceu como a principal figura dos direitos civis nos Estados Unidos por décadas.
Ele concorreu à indicação presidencial pelo Partido Democrata em 1984 e 1988, atraindo eleitores negros e muitos liberais brancos em campanhas surpreendentemente fortes, mas não conseguiu se tornar o primeiro candidato negro à Casa Branca por um grande partido. No fim das contas, nunca ocupou um cargo eletivo.
O ativista fundou os grupos de direitos civis Operação Push e a Coalizão Nacional Arco-Íris, ambos sediados em Chicago, e serviu como enviado especial do presidente democrata Bill Clinton para a África nos anos 1990. Também foi fundamental para garantir a libertação de vários americanos e outras pessoas mantidas no exterior em lugares como Síria, Cuba, Iraque e Sérvia.
Em 1984, Jackson conquistou 3,3 milhões de votos nas prévias democratas, cerca de 18% do total, e terminou em terceiro lugar, atrás de indicado Walter Mondale e de Gary Hart, na disputa pelo direito de enfrentar o republicano Ronald Reagan, então presidente. Sua candidatura perdeu força depois que veio a público que havia chamado, em conversas privadas, os judeus de “Hymies” e Nova York de “Hymietown”.
Em 1988, Jackson era o candidato mais refinado e alinhado ao mainstream, ficando em segundo lugar na disputa democrata para enfrentar o republicano George W. Bush. Ele deu trabalho ao eventual indicado democrata Michael Dukakis, vencendo 11 primárias estaduais.
Jackson se apresentou como alguém que quebrava barreiras para pessoas negras, pobres e sem poder. Ele eletrificou a convenção democrata de 1988 com um discurso contando sua história de vida.
“A América não é um cobertor tecido com um único fio, uma única cor, um único tecido”, disse aos delegados em Atlanta.
“Onde quer que você esteja esta noite, você consegue. Mantenha a cabeça erguida, estufe o peito. Você consegue. Às vezes escurece, mas a manhã chega. Não se renda. O sofrimento gera caráter, o caráter gera fé. No final, a fé não vai decepcionar”, acrescentou.
Jackson anunciou em 2017, aos 76 anos, que havia sido diagnosticado com doença de Parkinson, um distúrbio de movimento caracterizado por tremores, rigidez e problemas de equilíbrio e coordenação, após apresentar sintomas por três anos.




