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Israel publica mapa mostrando território ocupado no Líbano – 18/06/2026 – Mundo

Israel publicou nesta quinta-feira (18) um mapa mostrando uma zona ampliada de controle militar no sul do Líbano e afirmou que não descarta realizar ataques além dessa área, desafiando os termos de um pacto entre os Estados Unidos e o Irã que prevê o respeito à soberania libanesa.

A chamada “zona de segurança” quase 10 km dentro do território libanês. O Exército de Israel informou que suas tropas permanecerão na região “para eliminar ameaças do grupo Hezbollah, aliado de Teerã.

Um alto israelense de alto escalão disse à agência Reuters que Israel está conduzindo “negociações difíceis” com o governo do presidente Donald Trump para manter a área ocupada.

O novo mapa mostra uma expansão significativa da área sob controle israelense. Em abril, as Forças Armadas haviam divulgado uma versão anterior delimitando a chamada zona de segurança no sul do Líbano. Agora, a atualização indica que as tropas operam vários quilômetros mais ao norte, incluindo áreas próximas a Nabatieh, um dos principais redutos do Hezbollah, localizado ao norte do rio Litani.

Embora militares israelenses já atuassem em parte dessas regiões há várias semanas, esta é a primeira vez que o Exército reconhece publicamente a ampliação da zona de controle, destacada em vermelho escuro no mapa divulgado nesta quinta-feira.

Em discurso televisionado na quarta-feira, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou a ideia de zonas de segurança israelenses em território libanês. “Não há zonas amarelas, vermelhas ou verdes. Israel deve sair, e sairá”, afirmou.

Um acordo provisório assinado na quarta-feira para encerrar a guerra no Oriente Médio prevê o fim dos combates em todas as frentes, incluindo no Líbano, e exige que as partes garantam “a integridade territorial e a soberania” do país.

Israel vem rejeitando os apelos para retirar suas tropas do território do país vizinho. A invasão israelense causou a deslocamento de mais de um milhão de pessoas na região, segundo as autoridades, e ao menos 1.530 mortos.

Desde o anúncio do acordo entre Teerã e Washington, a intensidade da violência no sul libanês caiu, mas não cessou. Segundo a agência libanesa NNA, três pessoas morreram nesta quinta em várias ofensivas atribuídas a Tel Aviv. Um dos episódios envolveu um ataque de drone contra um carro na região de KfarTebnit.

O Hezbollah também mirou tropas israelenses no sul do país nesta semana, inclusive com drones explosivos que mataram e feriram soldados.

O grupo extremista arrastou o Líbano ao atacar Israel em solidariedade ao Irã. Israel respondeu com bombardeios e uma invasão terrestre no sul.

Aliados, o primeiro-ministro israelense, Binyaamin Netanyahu, e Trump entraram em choque repetidas vezes nas últimas semanas devido à questão do Líbano. Dentro do Estado judeu,membros do governo e da oposição criticaram o acordo costurado pelos EUA, alegando que ele não atende suficientemente às preocupações de Israel.

Trump não esconde sua frustração com Netanyahu e criticou as ações militares israelenses no Líbano, dizendo que não era necessário bombardear prédios inteiros para perseguir membros do Hezbollah. No entanto, não há sinais de que essas críticas se traduzirão em medidas concretas que possam forçar Israel a rever suas táticas militares.

Israel descreve os territórios que ocupou no Líbano, em Gaza e na Síria como “zonas de amortecimento” entre o país e seus inimigos, um elemento central de sua política de segurança recente.

A divulgação do mapa ocorre antes de uma nova rodada de negociações entre Israel e Líbano mediadas pelos EUA, marcada para a próxima semana em Washington.

Autoridades israelenses, falando sob anonimato, afirmam que Israel deixou aberta a possibilidade de se retirar do sul do Líbano caso as negociações avancem. Tel Aviv busca o desarmamento do Hezbollah como resultado dessas conversas, enquanto o Líbano exige a retirada das tropas israelenses.

Fonte: Folha de São Paulo

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