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Israel faz ofensiva terrestre contra Hezbollah no Líbano – 16/03/2026 – Mundo

Israel avançou para novas áreas do sul do Líbano nesta segunda-feira (16), enviando soldados em uma ofensiva terrestre para atacar o Hezbollah. A operação marca uma intensificação da campanha militar de Tel Aviv contra o grupo armado apoiado pelo Irã no país vizinho.

O governo em Beirute informou que mais de um milhão de pessoas —cerca de 17% dos 5,9 milhões de libaneses— foram registradas como deslocadas desde o início do conflito. Segundo dados do Ministério de Assuntos Sociais, somente 132 mil estão alojados nos mais de 600 centros de acolhida coletivos.

Em uma conversa com jornalistas, o porta-voz do Exército israelense, o tenente-coronel Nadav Shoshani, disse que soldados estavam em “novos locais onde nossas tropas não estavam operando” até então.

Ele descreveu as mais recentes operações terrestres como “limitadas e direcionadas”, mas não informou até que ponto as forças israelenses avançariam no território libanês nem se pretendem estabelecer novas posições.

Tel Aviv mantinha militares no sul do Líbano desde o cessar-fogo firmado com o Hezbollah que encerrou o último conflito em 2024.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse nesta segunda que o Hezbollah “pagará um preço alto”, acrescentando que o Exército destruirá a infraestrutura do grupo no sul do Líbano, “assim como foi feito contra o Hamas em Gaza”.

Em um vídeo divulgado pela pasta, Katz aparece sentado na sala de controle do Exército israelense ao lado de oficiais militares. Na declaração, o ministro afirmou que moradores do Líbano “que deixaram e continuam deixando suas casas no sul do país e em Beirute não retornarão às suas residências ao sul da região do rio Litani até que a segurança dos moradores do norte [de Israel] seja garantida”.

O grupo libanês entrou na atual guerra em apoio ao regime iraniano, atacado pelos Estados Unidos e Israel no início deste mês. O presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, justificam os ataques ao Irã como uma forma de desmantelar o programa nuclear, degradar as capacidades militares e promover uma mudança de regime no país persa —embora essa última motivação tenha sido menos mencionada nos últimos dias.

O líder supremo iraniano Ali Khamenei foi morto nos ataques e, dias depois, seu filho, Mojtaba Khamenei, assumiu a liderança do país.

Canadá, França, Alemanha, Itália e Reino Unido divulgaram um comunicado conjunto nesta segunda-feira na qual pediam que uma “ofensiva terrestre significativa” no Líbano deveria ser evitada, em razão das consequências humanitárias e do conflito prolongado que uma operação do tipo poderia acarretar.

No fim de semana, tropas israelenses cercaram a importante cidade de Khiyam, no sul do Líbano, localizada a seis quilômetros da fronteira com Israel, de acordo com relatos de funcionários das forças de segurança libanesas feitos à Reuters.

O Exército de Israel teria efetivamente assumido o controle da cidade e agora avança para o oeste em direção ao rio Litani, um passo que poderia deixar grandes áreas do sul do Líbano sob controle israelense e isoladas do restante do país, segundo esses funcionários.

Israel afirma que a ofensiva terrestre é uma medida para proteger o país de ataques do Hezbollah, que, segundo o governo, têm chegado a uma média de ao menos cem foguetes e drones por dia.

Segundo Tel Aviv, dois soldados israelenses morreram em combate durante a atual campanha. Já no Líbano, 886 pessoas morreram desde 2 de março, entre elas 111 crianças, 67 mulheres e 38 profissionais de saúde, de acordo com balanço do governo.

Na sexta (13), a ofensiva de Israel no Líbano incluiu a destruição de uma ponte no sul do país e a difusão de panfletos em Beirute ameaçando a capital com uma devastação comparável à da Faixa de Gaza.

O Hezbollah foi criado por clérigos xiitas em 1982 sob a proteção do Irã e atuou, nas últimas décadas, como um braço do regime iraniano no Líbano e na Síria. O governo do Líbano tem tentado desarmar o grupo, e, antes da guerra, o Exército do país havia registrado progressos em áreas próximas à fronteira com Israel.

O progresso, entretanto, é lento, uma vez que Beirute tenta evitar uma nova guerra civil no país. Já Israel afirma que as capacidades militares da facção foram enfraquecidas desde a guerra de 2024, mas que o grupo ainda representa uma grande ameaça e possui centenas de foguetes.

Pelo acordo de cessar-fogo de 2024, o Hezbollah deveria recuar do sul do Líbano e o Exército libanês assumiria o controle da região, em troca de Israel cessar seus bombardeios contra o país. Tel Aviv afirma que Beirute nunca cumpriu sua parte do acordo e, portanto, continuou realizando ataques aéreos quase diários contra o que diz serem posições e armas do grupo armado.

Fonte: Folha de São Paulo

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