Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por telefone nesta quarta-feira (29). O líder russo apresentou ideias para resolver a disputa em torno do programa nuclear do Irã, segundo o conselheiro do Kremlin para política externa, Iuri Ushakov.
A ligação telefônica foi a primeira conversa anunciada publicamente entre os dois líderes desde 9 de março, nove dias após os EUA e Israel iniciarem a guerra atual contra o Irã, atualmente sob uma frágil trégua em meio à continuação dos bloqueios iranianos e americanos a navios no estreito de Hormuz e à dificuldade de avanços nas negociações para o fim do conflito.
Ushakov não deu detalhes sobre as propostas de Putin sobre o Irã, mas disse que qualquer retomada das hostilidades no Oriente Médio “inevitavelmente teria consequências extremamente prejudiciais” e não seria do interesse de ninguém.
“A Rússia está firmemente comprometida em fornecer total apoio aos esforços diplomáticos para buscar uma resolução pacífica da crise e ofereceu uma série de considerações destinadas a resolver as divergências sobre o programa nuclear do Irã”, afirmou ele a jornalistas após a conversa entre os dois líderes.
A Rússia havia oferecido anteriormente retirar do país persa o estoque de urânio enriquecido em posse da República Islâmica.
Ushakov disse ainda que a Rússia manteria contato com o Irã, com o qual tem uma “parceria estratégica”, bem como com os estados do golfo Pérsico e Israel para garantir que não haveria uma retomada das hostilidades na região.
Ele disse que a ligação telefônica durou mais de uma hora e meia e foi “conduzida de maneira amigável, franca e objetiva”.
Na segunda-feira (27), o Irã indicou mudança em sua estratégia de negociação após novo fracasso de uma segunda rodada de conversas com Washington e enviou seu chanceler, Abbas Araghchi, a Moscou. Ele foi recebido por Putin, que afirmou que faria de tudo para ajudar o Oriente Médio a alcançar a paz.
Durante a conversa com Trump nesta quarta, o líder russo também propôs uma repetição do cessar-fogo temporário ocorrido na Ucrânia, no ano passado, para marcar o aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no próximo mês, disse Ushakov. No ano passado, Kiev não concordou com a trégua, que do lado russo durou três dias.
“Trump apoiou ativamente essa iniciativa, observando que o feriado marca nossa vitória comum sobre o nazismo na Segunda Guerra Mundial. Trump acredita que um acordo para pôr fim ao conflito na Ucrânia já está próximo”, disse o conselheiro.




