O transporte marítimo no estreito de Hormuz continua paralisado na manhã deste domingo (19), após o Irã reafirmar o controle da via, essencial para o abastecimento global de energia. A paralisação ocorre a poucos dias do fim do frágil acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos, previsto para terminar na quarta (22).
O principal negociador de Teerã afirmou que os dois países estavam longe de um acordo final para encerrar a guerra. Em um discurso televisionado no fim de sábado (18), Mohammad Bagher Ghalibaf disse que Washington não conseguiu pressionar o Irã por meio de ultimatos nem obter apoio internacional para a guerra.
O Irã havia anunciado que permitiria a passagem de navios por Hormuz, mas voltou atrás no sábado, acusando Washington de violar a trégua ao manter seu próprio bloqueio aos portos iranianos. Após dois navios relatarem ataques ao tentar cruzar o estreito no sábado, dados de navegação indicaram que o tráfego foi interrompido na manhã deste domingo.
Um petroleiro chinês e um transportador de gás indiano chegaram a seguir rumo ao leste, mas teriam sido obrigados a retornar. Segundo a plataforma MarineTraffic, nenhuma embarcação entrou ou saiu do golfo após a meia-noite (21h de sábado no horário de Brasília).
A guerra, que já está em sua oitava semana, fez com que os preços do petróleo disparassem.
Ainda neste domingo, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o seu homólogo americano, Donald Trump, não tem justificativa para privar o Irã de seus direitos nucleares. “Trump diz que o Irã não pode fazer uso de seus direitos nucleares, mas não diz por qual crime. Quem é ele para privar uma nação de seus direitos?”, declarou Pezeshkian.
Há incerteza sobre os esforços de mediação do Paquistão para encerrar a guerra, iniciada em 28 de fevereiro com ataques aéreos dos EUA e de Israel contra o Irã.
As negociações em Islamabad, as primeiras diretas entre Washington e Teerã em décadas, terminaram sem acordo na semana passada, mas há sinais de preparação para uma retomada antes do fim do cessar-fogo na quarta-feira.
Rolos de arame farpado podiam ser vistos perto do Hotel Serena, onde ocorreram as negociações da semana passada. O hotel informou aos hóspedes neste domingo que eles deveriam deixar o local devido a um evento do governo e suspendeu novas reservas por tempo indeterminado.
No centro da cidade, havia forte presença policial e militar, embora com menor aparato de segurança do que na primeira rodada, quando a delegação americana foi liderada pelo vice-presidente dos EUA, J. D. Vance.
A pressão sobre Trump por uma saída para o conflito aumentou, em meio à chegada das eleições de meio mandato de novembro, inflação em alta, gasolina cara e queda em seus índices de aprovação.
Trump, que se reuniu com assessores de segurança nacional na Casa Branca no sábado, disse que os EUA estavam tendo “conversas muito boas”, mas não deu mais detalhes. Mais tarde, foi ao Trump National Golf Club com Steve Witkoff, um de seus negociadores com o Irã.
O principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, disse à mídia estatal que as conversas em Islamabad avançaram, mas acrescentou: “Ainda há uma grande distância entre nós”.
“Há algumas questões nas quais insistimos… Eles também têm linhas vermelhas. Mas esses pontos podem ser apenas um ou dois.”
Na sexta-feira, o Irã havia anunciado a reabertura temporária do estreito após um cessar-fogo de dez dias mediado pelos EUA entre Israel e Líbano, para encerrar confrontos com o Hezbollah. No sábado, porém, voltou atrás ao acusar Washington de violar a trégua com o bloqueio aos portos iranianos.
Em declaração em seu canal no Telegram, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que a Marinha do país persa está pronta para infligir “novas derrotas amargas” aos inimigos.




