O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, prometeu neste sábado (3) não ceder após o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar ajudar os manifestantes que ocupam as ruas motivados pelas dificuldades econômicas e pela a inflação em alta no país.
Em uma aparição exibida na televisão no sábado, Khamenei afirmou que o país “não cederá ao inimigo”. “Vamos falar com os manifestantes, mas falar com vândalos é inútil. Os vândalos devem ser colocados em seu lugar”, acrescentou.
Nesta sexta-feira (2), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia ameaçado ajudar os manifestantes no Irã se as forças de segurança atirassem contra eles .
“Se o Irã atira e mata violentamente manifestantes pacíficos, como é de praxe deles, os EUA irão em seu resgate. Estamos prontos e carregados para agir”, escreveu Trump em uma publicação nas redes sociais. Os EUA atacaram instalações nucleares iranianas em junho do ano passado, juntando-se a uma campanha aérea israelense que teve como alvo o programa atômico de Teerã e sua liderança militar.
Grupos de direitos humanos afirmam que mais de dez pessoas foram mortas e várias outras detidas em manifestações que eclodiram por todo o Irã na última semana, enquanto a desvalorização da moeda afeta a economia já enfraquecida por sanções.
O rial iraniano caiu em relação ao dólar e outras moedas mundiais —quando os protestos eclodiram no último domingo, o dólar americano era negociado a cerca de 1,42 milhão de riais, em comparação com 820 mil riais um ano atrás— forçando a alta dos preços de importação e prejudicando os comerciantes varejistas.
As flutuações de preços estão paralisando as vendas de alguns produtos importados, com vendedores e compradores preferindo adiar as transações até que o panorama se torne mais claro.
Ao mesmo tempo em que autoridades afirmam que os protestos sobre a economia são legítimos e serão atendidos com diálogo, também utilizam gás lacrimogêneo contra manifestantes em meio a confrontos violentos nas ruas.
Relatos de violência se concentraram em pequenas cidades nas províncias ocidentais do Irã, onde várias pessoas foram mortas. As autoridades disseram que dois membros dos serviços de segurança morreram e mais de uma dúzia ficaram feridos nos distúrbios.
O grupo de direitos humanos Hengaw disse na noite de sexta-feira (2) que identificou 133 pessoas presas, um aumento expressivo em comparação às 77 registradas no dia anterior.
Os protestos no Irã são os maiores desde manifestações em massa em todo o país no final de 2022, após a morte da jovem Mahsa Amini. Na ocasião, a polícia religiosa tinha acusado a jovem de 22 anos de violar o código de vestimenta do país, que obriga as mulheres a cobrir o cabelo.
O Irã conseguiu conter repetidos protestos nas últimas décadas, muitas vezes com pesadas medidas de segurança e prisões em massa. Mas os problemas econômicos podem deixar as autoridades mais vulneráveis agora.
A televisão estatal informou sobre prisões no oeste e no centro do Irã, além de áreas próximas à capital Teerã, incluindo pessoas acusadas de fabricar bombas de gasolina e pistolas caseiras.




