As carruagens puxadas por cavalos, presença constante no Central Park, em Nova York (EUA), desde sua criação, estavam visivelmente ausentes nesta quinta-feira (18), depois que os condutores suspenderam o serviço em seguida à morte de um turista.
Não está claro por quanto tempo a paralisação voluntária pode durar. Um porta-voz do sindicato dos condutores disse que os membros estavam deliberando sobre os próximos passos em resposta a um evento fatal que deu novo ímpeto àqueles que querem proibir as carruagens puxadas por cavalos na cidade.
Alexander Kemp, vice-presidente do sindicato Transport Workers Union Local 100, disse que os membros estavam “absolutamente devastados e chocados” com a morte de Romanch Mahajan, de 18 anos, que visitava a cidade vindo da Índia com seus pais e irmão mais novo.
Mahajan caiu de uma carruagem quando o cavalo disparou enquanto o condutor tirava uma foto do jovem com sua família. A causa da morte foi traumatismo contuso, e a natureza do ocorrido foi classificada como acidente, informou porta-voz do escritório do médico legista-chefe.
“Nunca tivemos um acidente fatal como este antes”, disse Kemp em comunicado. “Fechamos os estábulos e suspendemos as operações hoje, enquanto realizamos discussões internas aprofundadas sobre o que ocorreu e como isso poderia ter sido evitado.”
O sindicato, seus membros e seus apoiadores estão envolvidos em um longo conflito com ativistas do bem-estar animal, algumas autoridades públicas e, mais recentemente, a organização que administra o parque, sobre o possível encerramento do serviço de carruagens puxadas por cavalos na cidade.
Aqueles que defendem a proibição afirmam que a prática é ultrapassada e desumana. O sindicato argumenta que os cavalos são bem cuidados, que a proibição eliminaria empregos e que os passeios de carruagem continuam sendo uma atração popular.
O debate sobre o futuro do setor voltou a se acirrar neste mês, primeiro com a morte de um cavalo —cuja autópsia preliminar revelou que ele havia ingerido uma planta tóxica— e, em seguida, com a morte de Mahajan.
Na noite de quarta-feira (17), Julie Menin, presidente da Câmara Municipal, e Lynn Schulman, que lidera a comissão de saúde da Câmara, afirmaram que marcariam uma audiência no mês que vem sobre um projeto de lei que eliminaria os cavalos de carruagem da cidade.
“A hora de agir é agora”, afirmaram em postagem nas redes sociais.
Uma proibição semelhante não conseguiu ser levada a audiência no mandato anterior da Câmara, e nem Menin, democrata de Manhattan, nem Schulman, democrata do Queens, manifestaram apoio público à medida na época.
Menin, em comunicado divulgado na quinta-feira, disse que as mortes do cavalo Deniz e de Mahajan “demonstram que é hora de traçar um caminho melhor para o futuro, que leve em conta o bem-estar animal e a segurança pública, além de garantir o sustento e a prosperidade econômica dos trabalhadores”.
“O bem-estar dos cavalos, a segurança pública e o futuro econômico dos condutores de carruagens não são objetivos mutuamente excludentes”, acrescentou ela. “Estou confiante de que podemos reunir todas as partes para chegar a uma solução responsável.”
O prefeito Zohran Mamdani adotou um tom semelhante em uma declaração na noite de quarta, dizendo que esperava trabalhar com todas as partes interessadas “para promover uma transição justa que proteja os trabalhadores e, ao mesmo tempo, acabe de uma vez por todas com as carruagens puxadas por cavalos no Central Park”.
Mas John Samuelsen, presidente internacional do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes, disse em uma entrevista na quinta-feira que aqueles que querem proibir as carruagens estão explorando uma tragédia para promover seus pontos de vista.
Ele disse que as alegações de que o uso de cavalos para puxar carruagens é uma forma de crueldade contra os animais —o principal argumento dos defensores da proibição— são infundadas e precisam ser “separadas” das questões sobre quaisquer falhas do condutor da carruagem que tenham levado à morte de Mahajan. O sindicato e seus membros estão comprometidos em esclarecer essas questões, disse Samuelsen.
“Vamos trabalhar para garantir a segurança do tráfego de todos os tipos de veículos no parque”, disse.
Para a família Mahajan, o passeio fatal de carruagem deveria ter sido uma atividade relaxante na primeira visita da família a Nova York, uma viagem que já havia incluído paradas na Estátua da Liberdade, no Memorial do 11 de Setembro e na ponte do Brooklyn.
Deepak Mahajan, pai de Romanch, disse que eles estavam no parque quando reservaram o passeio com o motorista, identificado como Ertan Gokdepe. As tentativas de entrar em contato com Gokdepe não tiveram sucesso.
A família concordou em pagar a Gokdepe US$ 158 (R$ 812) por um passeio de 45 minutos com várias paradas, e o fato de Gokdepe tirar três fotos ao longo do trajeto fazia parte do pacote, disse Deepak Mahajan.
Ele já havia tirado duas fotos da família na carruagem em outros locais antes de chegar perto da fonte em Cherry Hill, por volta das 14h45. Assim como nas vezes anteriores, Gokdepe saiu da carruagem para tirar a foto.
O cavalo, um animal de sete anos chamado Sampson que trabalhava no parque havia apenas seis semanas, saiu correndo uma fração de segundo depois, disse Deepak Mahajan. Quando sua esposa, Priya, caiu da carruagem, Romanch pulou para tentar ajudá-la e bateu a cabeça no chão, disse Mahajan.
As circunstâncias em que Gokdepe —que, segundo o sindicato, havia sido suspenso por tempo indeterminado pelo proprietário da carruagem— estava tirando fotos provavelmente serão alvo de investigação.
Kemp, vice-presidente do sindicato, disse na quarta-feira que o que Gokdepe havia feito era “inaceitável” e que “um cocheiro não deve sair da carruagem para tirar fotos —nunca”.




