Pela primeria vez desde o início da guerra no Irã, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, depôs no Congresso, na manhã desta quarta-feira (29).
Durante a audiência, o governo americano afirmou que o custo dos bombadeiros no Oriente Médio somam até agora US$ 25 bilhões, cerca de R$ 125 bilhões. O valor do ataque que já dura dois meses representa cerca de 2,7% do orçamento total do departamento, que teve US$ 901 bihões (R$ 4,5 trilhões) autorizados para 2026.
Em meio a bate-boca com parlamentares, que pressionam sobre custo dos conflitos e reais motivos da guerra, o secretário esteve ali para defender o orçamento para 2027, previsto pela Casa Branca para US$ 1,5 trilhão, mais 40% a mais se comparado com o orçamento deste ano. O valor precisa da autorização do Congresso.
Apesar do tema central ser o orçamento, a guerra tomou conta do debate. O conflito completa 60 dias na quinta-feira, porém o secretário não respondeu quanto tempo o conflito ainda deve durar. Porém, repete que os EUA são os vencedores dos ataques. No início dos ataques, o presidente dos EUA, Donald Trump, previu que os ataques durariam entre quatro ou cinco semanas.
A partir de quinta-feira, o governo americano enfrenta um novo desafio, uma vez que a Constituição prevê que 60 dias é o tempo limite para que o presidente comece a retirar as tropas ou busque autorização do Congresso para manter o conflito.
Além da duração da guerra, Hegseth ainda deixou diversos questionamentos em aberto ao ser questionado sobre o quanto o conflito está custando para o bolso dos americanos ou quanto o departamento está disposto a gastar com os ataques. Ao invés, ele questionou os parlamentares: “Quanto vocês estariam dispostos a pagar para garantir que o Irã não tenha uma arma nuclear?”
Ele ainda foi indagado se aconselhou o presidente Trump a dar início nos ataques, mas também se recusou a responder. Hegseth ainda se esquivou sobre questionamentos relacionados ao ataque na escola de meninas, no início do conflito, que deixou ao menos 150 vítimas em Minab, no sul do Irã. Apesar de investigações preliminares do Pentágono indicarem que a explosão foi causada pelos EUA, o secretário defende que o episódio ainda está sob análise.
O caso foi levantado por alguns dos parlamentares, entre eles o deputado democrata Adam Smith, que afirma que, para ele, não há “qualquer dúvida do que aconteceu: cometemos um erro e isso acontece em guerra”. “Mesmo assim, dois meses depois disso ter acontecido, nós nos recusamos a falar disso dando a impressão ao resto do mundo que nós não nos importamos e deveríamos nos importar”, afirmou Smith.
Em outro momento de tensão da audiência, o deputado democrata John Garamendi insistiu que o governo americano não explicou o motivo para a guerra e alegou que as justificativas foram constantemente mudadas. “Vocês têm mentido para o povo americano desde o primeiro dia”, afirmou o deputado e acusou o secretário de “incompetência”.
Também teve parlamentar que apostou na ironia ao criticar Hegseth, como o deputado democrata Salud Carbajal, que afirmou que ele e o secretário tem coincidências, como serem fãs do filme “Pulp Fiction”, do diretor Quentin Tarantino. “Mas, eu sei que o filme não é uma cópia fiel da Bíblia. Você sabe do que eu estou falando”, disse.
A referência acontece poucos dias após Hegseth recitar uma adaptação de um falso trecho bíblico, que aparece no filme de Tarantino, durante uma oração no Pentágono. Na ocasião, ele afirmou que recebeu o trecho de um oficial responsável pelo planejamento de uma missão que resgatou um militar americano no Irã.
Hegseth é cristão e incorpora símbolos religiosos em sues discursos. Durante o conflito com o Irã, ele comparou o resgate de um militar americano desaparecido, após ter seu caça abatido sobre o Irã no Domingo de Páscoa, à ressurreição de Jesus Cristo e também pediu que os americanos rezassem de joelhos pelas tropas em meio a guerra.




