Esta é a edição da newsletter China, terra do meio desta terça-feira (17). Quer recebê-la toda semana no seu email? Inscreva-se abaixo:
A China foi o mercado que mais cresceu para as exportações latino-americanas no primeiro trimestre de 2026, embora os EUA sigam como o maior comprador da região. Essas são as conclusões de um longo relatório publicado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) nesta terça-feira (16).
- As vendas latino-americanas à China subiram 25% comparado ao mesmo período de 2025.
- Para o resto da Ásia houve avanço de 24%, para União Europeia, 19% e para os EUA, 14%;
- As exportações da região cresceram quase 16% no trimestre, mais que o dobro da alta de 6,4% de 2025.
A liderança americana, contudo, se apoiou no comércio com o México e a América Central, enquanto a China concentra suas compras na América do Sul (especialmente no Brasil).
Embora o relatório não detalhe, a dinâmica certamente está relacionada com o acordo de livre comércio USMCA, o que garante acesso mexicano ao mercado americano com isenção de tarifas. Ele serve como incentivo para milhares de empresas dos EUA se realocarem no México em busca de subsídios e salários mais baixos.
A alta das vendas à China no trimestre prolonga um movimento iniciado no fim de 2025. As importações chinesas vindas da região ficaram estáveis na média do ano passado, com queda no primeiro semestre e alta no segundo.
Na América do Sul, a China respondeu por 40% de todo o aumento das exportações em 2025, segundo o BID. Em tempos de tarifas impostas por Trump, o Brasil viu suas vendas para o exterior em 1,8% no comparativo anual, puxado pela China e pelos vizinhos sul-americanos.
Por que importa: O avanço chinês reforça o papel da América do Sul como fornecedora de matérias-primas à China. Ao mesmo tempo, Washington pressiona a região a reduzir laços com Pequim em portos, minerais e tecnologia.
O salto do trimestre, porém, vem de preços de poucas commodities, como ouro e cobre, e não de uma base exportadora mais diversa. Uma reversão desses preços, projetada pelo BID, deixaria a região exposta enquanto a disputa entre EUA e China avança no continente.
pare para ver
“O Retorno de Superman”, trabalho do artista chinês Zhou Lu. Conhecido pelo estilo que ele mesmo define como “realismo cínico”, Zhou é natural de Guiyang e é atualmente o diretor da Faculdade de Artes de Guizhou, além de servir como vice-secretário da Associação de Arte em Gravura na mesma província. Veja outros trabalhos dele aqui.
o que também importa
★ Xi Jinping reafirmou o apoio ao líder de Mianmar, Min Aung Hlaing, que visitou a China. Após reunião no Grande Salão do Povo, ambos assinaram 18 memorandos sobre transporte transfronteiriço, livre comércio, saúde e mídia. Xi pediu avanços no Corredor Econômico China-Mianmar, pilar da Iniciativa de Cinturão e Rota (popularmente conhecida como Nova Rota da Seda). A viagem é usada para tentar romper o isolamento diplomático do general, no poder desde abril após eleições vistas como “farsa” por opositores. O país vive uma guerra civil desde o golpe de 2021, e a instabilidade na fronteira preocupa Pequim, maior parceiro comercial e investidor de Mianmar.
★ Alibaba lançou nesta terça seu primeiro conjunto de modelos de inteligência artificial para robôs. O Qwen Robot Suite foi desenvolvido pelo laboratório Tongyi e marca a entrada da empresa na corrida global pela chamada IA incorporada. Ela divide a inteligência do robô em três camadas voltadas à navegação, simulação de cenas e execução física. O lançamento representa uma virada estratégica da família Qwen, antes focada em software de linguagem, e acirra a disputa com gigantes dos EUA como Google e Nvidia e rivais chineses como Tencent, Unitree e Xpeng.
★ Os administradores responsáveis pela liquidação da Evergrande pediram que a Justiça revise um acordo bilionário. Ele foi fechado pelo regulador do mercado de Hong Kong com a PwC, firma que auditava a incorporadora. Pelo pacto, anunciado em abril, a auditoria pagaria HK$1 bilhão (R$ 651,53 milhões) para compensar acionistas e encerrar as investigações sobre seu trabalho na empresa. Os liquidantes contestam o acordo. Afirmam que o órgão regulador não tinha poder legal para firmá-lo com uma empresa que não fiscaliza e que pagar os acionistas deixa menos dinheiro para quitar os credores. Maior símbolo da crise imobiliária chinesa, a Evergrande deu calote em 2021 após acumular dívidas acima de US$ 300 bilhões.
fique de olho
O Partido Comunista chinês anunciou na segunda que vai incorporar uma nova vertente da doutrina de Xi Jinping voltada à disciplina e à liderança unificada.
O chamado “Pensamento de Xi Jinping sobre a Construção do Partido” inclui uma lista de 14 pontos que versam sobre a liderança centralizada e unificada do Comitê Central e a autogestão do Partido.
O texto insta que se priorize o combate à corrupção e alerta que autoridades que “não tenham a audácia, a oportunidade ou o desejo de cometer” atos ilícitos.
O documento defende a formação contínua de quadros partidários “de alta qualidade”, o aprimoramento das estruturas hierárquicas internas e a governança por meio de regulamentações claras e instituições fortes.
O arcabouço doutrinário foi sintetizado em reunião conduzida por Cai Qi, chefe de ideologia do partido e quinto na hierarquia do Comitê Permanente do Politburo. O colegiado tem sete integrantes, e o encontro reuniu autoridades de disciplina, pessoal e outras áreas centrais.
Xi tem desenvolvido o conceito da sua doutrina governamental desde o 18º Congresso Nacional do partido, em 2012. Além de orientações domésticas, ele construiu orientações para o desenvolvimento, segurança global, defesa e economia.
Por que importa: a nova doutrina chega cerca de um ano antes do próximo Congresso do partido, previsto para 2027. No encontro, mais de dois terços do Comitê Central devem ser trocados por limites de idade, com reorganização do Politburo. Ao codificar disciplina e liderança unificada antes dessa transição, Xi reforça o controle sobre quadros e sucessão no maior rearranjo de poder em uma década.
para ir a fundo
O Instituto Confúcio na Unesp realiza no sábado (20) uma festa para comemorar ao mesmo tempo o Festival do Barco-Dragão e as festividades juninas. O evento acontecerá na Rua Dom Luís Lasanha, 400, no bairro Ipiranga (SP) e terá entrada gratuita. Saiba mais aqui.
O Instituto Brasileiro de Ciências Jurídicas e o Ibrachina realizam nesta quarta (17) um workshop para discutir oportunidades e desafios para a advocacia em Macau e Brasil na era da IA generativa. O evento acontecerá às 19h no bairro Cerqueira César, em São Paulo. Interessados podem retirar seus ingressos gratuitamente aqui.




