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Ex-canoísta olímpico é indiciado por vandalismo nos EUA – 02/07/2026 – Mundo

Um ex-canoísta olímpico que havia sido detido em junho sob acusações de vandalizar o espelho d’água do Lincoln Memorial, em Washington, foi indiciado por “destruição de propriedade de US$ 1.000 ou mais”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, culpou vândalos pelos problemas após uma reforma rápida e custosa do espelho d’água, e o canoísta David Carter Hearn, 67, foi um dos primeiros a ser acusado. Hearn foi preso perto do espelho d’água em 19 de junho e acusado de destruir propriedade do governo. Na época, Hearn negou a acusação em entrevista ao The New York Times.

Jeanine Pirro, procuradora federal em Washington, disse em uma entrevista coletiva que os promotores tinham “provas tremendas” sustentando o indiciamento e condenou o que chamou de “vandalismo desenfreado e desordem civil”.

“Funcionários do Serviço Nacional de Parques observaram Hearn puxando e removendo com força e violência o revestimento do fundo com ambas as mãos”, disse ela. “Segundo testemunhas, Hearn danificou cerca de 0,2 metros quadrados de selante do fundo do espelho d’água.”

Quando um funcionário do parque mandou ele parar, Pirro disse que Hearn foi “beligerante, rude e desrespeitoso”. O homem foi detido por algumas horas e liberado.

Norm Eisen e Mary Dohrmann, advogados que representam o canoísta, disseram em comunicado que ele é inocente. “Essas acusações são ultrajantes e deveriam alarmar todos os americanos”, afirmaram. “Este indiciamento reflete o esforço do governo de transferir a culpa por seus próprios fracassos. Na véspera do Dia da Independência de nossa nação, os americanos deveriam estar profundamente preocupados com o uso indevido do poder governamental contra um cidadão comum.”

Hearn reconheceu ter colocado a mão na água e tocado o selante descascado durante uma pausa em um passeio de bicicleta, mas disse que foi só isso que fez. “Eu era apenas um cidadão curioso e preocupado”, declarou em entrevista. “Acho que estava no lugar errado, na hora errada.”

Nesta quinta-feira (2), Pirro afirmou que a capital dos Estados Unidos está passando por “um renascimento como nunca experimentou antes, tanto em segurança quanto em beleza”.

Em abril, Trump anunciou que consertaria “o outrora belo espelho d’água”. Seus problemas, incluindo vazamentos e as rotineiras florações de algas, haviam atormentado governos anteriores, incluindo o de Barack Obama, mas Trump declarou que, quando terminasse, o local seria “muito mais bonito do que no dia em que foi construído!”

O governo concedeu contratos, sem licitação, para drenar, reformar a superfície e reabastecer o espelho d’água. O custo foi de US$ 16,4 milhões (aproximadamente R$ 85 milhões), mas em meados de junho, já estava claro que as coisas não haviam saído conforme o planejado.

Pedaços do selante, recentemente aplicado nas placas de concreto do espelho d’água, foram vistos flutuando na água, que estava ficando em um tom de verde vivo —prova de que as algas ainda estavam presentes.

Governos anteriores lutaram para manter o espelho d’água livre dos organismos, mas especialistas dizem que alguns dos problemas atuais resultaram de decisões tomadas durante a reforma apressada. Mas Trump culpou vândalos, que ele disse, sem citar evidências, terem despejado fertilizante na água para nutrir as algas.

A área, uma atração para turistas, foi cercada por agentes de segurança. Autoridades federais disseram que sete pessoas, incluindo Hearn, foram presas.

Pirro disse que seu escritório estava analisando os outros casos e que alguns provavelmente resultariam em acusações de contravenção e outros em infrações.

O indiciamento do ex-atleta olímpico veio em um momento tenso para o escritório da procuradora, que tem tido dificuldades em obter e sustentar processos criminais contra moradores de Washington que protestaram contra os esforços anticrime de Trump envolvendo a Guarda Nacional e a aplicação da lei federal.

Sob Pirro, os promotores falharam três vezes no verão passado em obter um indiciamento contra uma mulher acusada de agredir um agente do FBI durante um protesto contra autoridades de imigração, e acabaram perdendo o caso no julgamento.

Em um caso semelhante, jurados em Washington rejeitaram esforços para indiciar um homem acusado de arremessar um sanduíche em um agente federal.

Gregory Rosen, ex-promotor do escritório de Pirro, levantou questões sobre as acusações contra Hearn, especialmente dado o precedente vinculante do tribunal de apelações em Washington.

“Destruição maliciosa de propriedade nunca significou apenas tocar em coisas”, disse ele. “O tribunal tem consistentemente exigido ou uma intenção real de causar o dano ou conduta imprudente, e danos resultantes de acidente ou curiosidade não se qualificam.”

Fonte: Folha de São Paulo

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