O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, afirmou neste sábado (2) que a retirada planejada de 5.000 soldados dos Estados Unidos do território alemão em até um ano deve servir de impulso para que os países europeus reforcem suas próprias capacidades de defesa.
A declaração foi uma resposta à decisão de Washington anunciada na véspera, tomada depois de divergências relacionadas à guerra no Irã entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o premiê alemão, Friedrich Merz, um impasse com potêncial para desencadear uma crise diplomática.
Trata-se ainda da medida mais concreta até agora da Casa Branca para reduzir sua presença militar na Europa após meses de reclamações feitas por Washington de que seus aliados na Otan, a aliança militar ocidental, não estavam fazendo o suficiente para apoiar os americanos e cuidar de sua própria segurança.
Na segunda (27), Merz afirmou que a liderança iraniana estava humilhando os EUA e fazendo autoridades americanas viajarem ao Paquistão para depois saírem sem resultados. Trump respondeu: “O premiê da Alemanha, Friedrich Merz, acha que não há problema no fato de o Irã ter uma arma nuclear. Ele não sabe do que está falando!”, escreveu, distorcendo a posição do primeiro-ministro. Merz afirmou que o Irã não deve ter armas nucleares.
Em resposta, nesta sexta, o Pentágono anunciou que os EUA irão retirar 5.000 soldados da Alemanha, sua maior base europeia. Pistorius disse que a medida era esperada. Trump já havia ameaçado uma redução das forças no início desta semana, após a troca de farpas com Merz, que também questionou a estratégia de Washington no Oriente Médio.
Pistorius ainda afirmou que a retirada parcial deve afetar a presença atual de quase 40 mil soldados americanos estacionados na Alemanha. Outras estimativas apontam para 35 mil soldados na ativa.
“Nós, europeus, devemos assumir mais responsabilidade pela nossa própria segurança”, disse Pistorius, acrescentando que “a Alemanha está no caminho certo” ao expandir suas Forças Armadas, acelerar as aquisições militares e construir infraestrutura.
A Alemanha quer aumentar o número de soldados na ativa dos atuais 185 mil para 260 mil, embora críticos do ministro da Defesa tenham pedido mais, em resposta a uma ameaça crescente da Rússia.
Os membros da Otan se comprometeram a assumir mais responsabilidade pela própria defesa, mas com orçamentos apertados e enormes lacunas na capacidade militar, levará anos para que a região atenda às suas próprias necessidades de segurança.
A presença militar dos EUA na Alemanha, que começou como uma força de ocupação após a Segunda Guerra Mundial, atingiu seu auge na década de 1960, quando centenas de milhares de militares americanos estavam estacionados no país para conter a União Soviética durante a Guerra Fria.
A presença dos EUA inclui a gigantesca base aérea de Ramstein e o hospital de Landstuhl, ambos utilizados pelos EUA para apoiar sua guerra no Irã, bem como conflitos anteriores no Iraque e no Afeganistão.
A decisão do Pentágono significa que uma brigada completa deixará a Alemanha e que um batalhão de artilharia de longo alcance, que deveria ser mobilizado ainda este ano, será cancelado.
A perda da artilharia de longo alcance será um golpe particularmente duro para Berlim, já que ela deveria constituir um importante elemento adicional de dissuasão contra a Rússia enquanto os europeus desenvolvem seus próprios mísseis de longo alcance.
Os EUA contavam com aproximadamente 68 mil militares na ativa designados permanentemente para suas bases no exterior na Europa em dezembro de 2025, segundo dados do Centro de Dados de Recursos Humanos da Defesa dos EUA. Esses números não incluem as forças em rotação enviadas para missões de destacamento e exercícios.
As Forças Armadas americanas estão distribuídas por 31 bases permanentes e outras 19 instalações militares às quais o Departamento de Defesa tem acesso, segundo dados de março de 2024, conforme mostra um relatório do Congresso.
O Comando Europeu dos EUA supervisiona as operações militares americanas em toda a Europa, trabalhando com os aliados da Otan por meio de seis comandos componentes que representam o Exército, a Marinha, a Força Aérea, o Corpo de Fuzileiros Navais, as Forças de Operações Especiais e a recém-criada Força Espacial.
Esses componentes têm sede na Alemanha e na Itália e se concentram na resposta a crises e na cooperação em segurança em toda a Europa e África.




