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EUA x Irã: China e Rússia pedem retomada de negociações – 11/06/2026 – Mundo

China, Rússia e Turquia pediram nesta quinta-feira (11) a retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã e o fim dos ataques entre os dois países, após o terceiro dia consecutivo de ofensivas militares na região. O agravamento das tensões elevou o receio de um sepultamento do frágil cesar-fogo acordado em abril e o retorno da guerra em larga escala.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que a continuidade das ofensivas pode agravar a instabilidade regional e gerar impactos para a economia mundial.Ele pediu que os países “retornem à mesa de negociações”.

A China, maior compradora de petróleo iraniano, também defendeu uma saída diplomática. Um porta-voz do regime chinês pediu que as partes “parem imediatamente as operações militares”. O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, deu declarações semelhantes a jornalistas.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, país mediador que sediou uma rodada inicial de negociações entre as partes em conflito, disse que não havia “perdido a esperança” de uma solução negociada.

As declarações ocorrem no terceiro dia de ofensivas. Nesta quinta, as Forças Armadas dos EUA atacaram um petroleiro indiano próximo à costa de Omã. A embarcação Jalveer, de bandeira da Guiné-Bissau, estaria tentando furar o bloqueio militar norte-americano para transportar petróleo do Irã.

O governo da Índia informou que os 20 tripulantes do navio-tanque estão em segurança e sendo evacuados com apoio da Marinha de Omã. Segundo autoridades, a embarcação sofreu um incêndio na área da casa de máquinas e enviou um pedido de socorro enquanto navegava perto do porto de Shinas.

O Comando Central dos EUA compartilhou um vídeo do momento em que o barco é atingido, confirmando a autoria do ataque.

Este é o terceiro navio com tripulação indiana atingido por forças americanas na região nesta semana. Na quarta-feira (10), três marinheiros indianos morreram após um ataque ao navio-tanque Settebello. Já na segunda-feira (8), o petroleiro Marivex foi atingido.

Os incidentes ocorrem em meio ao bloqueio marítimo imposto por Washington ao tráfego de embarcações ligadas ao Irã desde abril, após Teerã restringir a navegação em Hormuz.

O país persa reforçou nesta quinta que a via marítima está completamente fechada “até novo aviso”.

O mais recente ataque dos Estados Unidos ao Irã começou pouco depois da meia-noite em Teerã e durou cerca de quatro horas, segundo o Comando Central americano. Explosões foram registradas na ilha de Qeshm, próxima a Hormuz, e nas cidades de Bandar Abbas, Minab e Sirik, no sul do país, informaram veículos iranianos.

O presidente americano, Donald Trump, disse à Fox News que os bombardeios seriam retomados na noite seguinte caso Teerã não cedesse nas negociações.

O Irã afirmou ter respondido com duas ondas de ataques contra bases militares dos EUA no Kuwait e no Bahrein. As Forças Armadas do Kuwait informaram que interceptaram alvos hostis e fecharam temporariamente o espaço aéreo do país. No Bahrein, uma menina de 11 anos sofreu ferimentos leves, veículos pegaram fogo e casas foram danificadas em Hamad e na capital, Manama, após destroços de drones iranianos, que haviam sido interceptados caírem nessas áreas.

Trump havia dito na véspera que atacaria Teerã após dizer que o país estaria fazendo os EUA “de trouxa” nas negociações. O Ministério das Relações Exteriores condenou a ofensiva, afirmando que ela torna o cessar-fogo assinado em abril “praticamente sem sentido”.

Apesar dos ataques, as negociações para um acordo provisório ganharam impulso, segundo funcionários iranianos e ocidentais ouvidos pela agência Reuters. O principal impasse é a liberação de bilhões de dólares em receitas iranianas bloqueadas no exterior.

De acordo com as fontes, já há um entendimento político básico, mas seguem as discussões sobre os detalhes técnicos e financeiros. Teerã quer acesso imediato a entre US$ 6 bilhões e US$ 12 bilhões (cerca de R$ 31 bilhões e de 62 bilhões) de seus ativos congelados, enquanto Washington defende uma liberação gradual, voltada principalmente para compras humanitárias.

O esboço do acordo prevê o afrouxamento temporário do controle iraniano sobre Hormuz e a retomada gradual da navegação na região, em troca do fim do bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos. Questões mais complexas, como o programa nuclear iraniano e seus estoques de urânio enriquecido, ficariam para negociações futuras.

Analistas avaliam que Trump busca um entendimento que possa ser apresentado como mais favorável aos EUA do que o acordo nuclear firmado em 2015 durante o governo de Barack Obama. Do lado iraniano, a prioridade é aliviar a pressão econômica, recuperar parte dos recursos bloqueados e encerrar um conflito que tem elevado os custos para o país.

Fonte: Folha de São Paulo

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