O presidente Donald Trump disse à agência de notícias Reuters nesta quinta-feira (5) que deseja que os Estados Unidos tenham um papel na escolha do próximo líder do Irã e encorajou os grupos de oposição curdos a partirem para a ofensiva contra o regime.
Trump afirmou, em uma entrevista por telefone, que ainda é muito cedo para escolher um novo líder, mas que o filho do falecido líder supremo Ali Khamenei, Mojtaba, é uma escolha “improvável”. “Queremos estar envolvidos no processo de escolha da pessoa que vai liderar o Irã no futuro, assim como na Venezuela”, disse ele, em referência a Delcy Rodríguez, líder interina do país caribenho que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro. “Não precisamos voltar a fazer isso a cada cinco anos”, afirmou.
Trump já havia afirmado na terça que todas as pessoas que os EUA tinham em mente para assumir o comando do Irã após o fim da guerra “estão mortas”. O republicano não especificou quem seriam essas pessoas, nem em quais circunstâncias morreram.
O regime iraniano, por sua vez, não sinalizou que estaria aberto a discutir com os EUA quem deve ser eleito líder supremo.
A declaração do presidente americano foi dada poucas horas depois de um ataque à sede da Assembleia de Especialistas —órgão constitucionalmente encarregado de selecionar o novo líder supremo do país persa. Segundo uma agência de notícias local, não houve feridos.
Durante conversa com jornalistas na Casa Branca, Trump fez referência ao ataque desta terça ao comentar a morte de autoridades do Irã. “Tudo foi destruído”, afirmou ele. “Como vocês sabem, 49 pessoas [da liderança iraniana] foram mortas no primeiro ataque [no sábado, 28]. E acho que houve outro hoje [terça] contra a liderança, que parece ter sido significativo”, afirmou.
Trump disse também que o “pior cenário possível” no Irã seria um líder “tão ruim” quanto o aiatolá Ali Khamene. Ainda na terça, Washington e Teerã deram sinais de que não há espaço para diplomacia no momento. O presidente americano escreveu nas redes sociais que “as defesas aéreas, Força Aérea, Marinha e liderança [do Irã] se foram”. “Eles querem conversar. Eu disse: ‘tarde demais'”, completou.
O presidente voltou a dizer, na entrevista desta quinta, que “a operação no Irã está avançando antes do programado”, mas afirmou que não daria um cronograma completo.
Trump também encorajou as forças curdas iranianas a partirem para a ofensiva contra o regime do país. “Acho maravilhoso que eles queiram fazer isso, sou totalmente a favor”, disse.
Quando questionado se os EUA forneceriam ou haviam oferecido cobertura aérea do grupo, ele respondeu: “Não posso dizer isso”, mas acrescentou que o objetivo dos curdos seria vencer. “Se eles vão fazer isso, ótimo.”
Milícias curdas iranianas consultaram os EUA nos últimos dias sobre se e como atacar as forças de segurança do Irã na parte ocidental do país, de acordo com três pessoas com conhecimento do assunto ouvidas sob anonimato.
A coalizão curda iraniana de grupos baseados na fronteira entre o Irã e o Iraque, na região semiautônoma do Curdistão iraquiano, vem treinando para montar tal ataque na esperança de enfraquecer as Forças Armadas do país, enquanto os Estados Unidos e Israel bombardeiam alvos iranianos com bombas e mísseis.
Trump também sinalizou estar confiante de que a principal rota marítima no Golfo Pérsico, o estreito de Hormuz, permanecerá aberta.
Fechar o estreito, um ponto de passagem entre Irã e Omã por onde transporta-se um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo, tem sido um dos principais objetivos do Irã. O transporte marítimo ficou praticamente paralisado após os ataques iranianos a seis navios.
“Eles não têm Marinha, você sabe que a Marinha agora está no fundo do mar”, disse Trump. “Estou observando Hormuz muito de perto.”




