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EUA: Homem morto havia sido alvo de agentes 11 dias antes – 29/01/2026 – Mundo

O enfermeiro Alex Pretti, 37, foi abordado e derrubado por agentes federais 11 dias antes de ser morto em outra ação das autoridades em Minneapolis, nos Estados Unidos, no sábado (24).

Vídeo publicado pelo site The News Movement mostra um homem usando roupas semelhantes às de Pretti quando ele foi morto, xingando policiais que descem de um SUV e vão em direção a ele. Segundo o site, a BBC Verify, setor da rede britânica dedicado a checagens, confirmou a identificação de Pretti com uma ferramenta de reconhecimento facial.

Nas imagens, Pretti tenta fugir, mas é segurado por um dos agentes, que o puxa e o joga no chão. Outros agentes circundam a ação e impedem pessoas que gritam e filmam de chegar perto. Outros funcionários federais se juntam na tentativa de conter o enfermeiro, mas Pretti consegue escapar. Há relatos de que ele teria chutado o carro dos agentes.

Em seguida, é possível novamente ver Pretti caminhando em direção aos agentes, que deixam o local lançando bombas de gás lacrimogêneo. O enfermeiro carrega uma arma no cinto, na parte de trás de seu corpo —ele tinha direito ao porte, de acordo com autoridades locais. Em nenhum momento do novo vídeo ele tenta utilizar a arma.

O morador de Minneapolis foi morto no último sábado durante abordagem semelhante de agentes federais na mesma cidade. Na ocasião, ele foi empurrado, atingido com spray de pimenta nos olhos e, aparentemente contido no chão, acabou morto com dez disparos feitos por dois agentes.

Um relatório preliminar do órgão corregedor do CBP, que faz a vigilância de pontos legais de acesso aos EUA, contradisse a versão oficial do governo de Donald Trump para a morte de Pretti.

Inicialmente, integrantes da Casa Branca se apressaram em chamar o enfermeiro de “terrorista doméstico” que “queria massacrar” agentes federais, muito embora as evidências em vídeos gravados por testemunhas mostrem que Pretti não empunhava a arma que possuía.

A elaboração do relatório do órgão, que fica sob o guarda-chuva do Departamento de Segurança Interna (DHS), ocorre num momento em que o governo Trump muda seu discurso em relação à morte de Pretti.

Na noite de domingo (25), pressionado por críticas às ações e por democratas que ameaçam não aprovar o orçamento federal e, portanto, provocar uma nova paralisação do governo, Trump disse que o governo estava “revisando tudo”.

A mudança de tom veio após alertas de aliados e, segundo o jornal The Wall Street Journal, a percepção de Trump de que as mortes e ações caóticas das autoridades federais em Minneapolis passavam uma imagem de fraqueza do governo.

No dia seguinte, no entanto, em telefonema com o governador democrata de Minnesota, Tim Walz, o presidente afirmou que o governo federal só recuaria se as autoridades do estado ajudassem a Casa Branca com deportações.

A pressão não funcionou. Ainda na segunda (26), a imprensa americana afirmou que Gregory Bovino, comandante da operação em Minneapolis, conhecido como um defensor da truculência das ações de deportação, deixaria o posto. O prefeito democrata da cidade, Jacob Frey, disse ainda que uma parte dos agentes federais sairia de Minneapolis.

Frey conversou com Trump por telefone na segunda. O diálogo foi “muito bom”, segundo o republicano. O presidente, no entanto, ameaçou o prefeito democrata na quarta.

Trump criticou a postura de Frey, que afirmou não cumprir leis federais de imigração que considerasse ilegais, e disse que o democrata estava “brincando com fogo“.

Ainda nesta quinta, Tom Homan, o encarregado das fronteiras e enviado do presidente a Minneapolis, disse que não quer ver ninguém morto e admitiu um plano para reduzir o número de agentes federais da imigração em Minnesota, mas com uma condição: a colaboração dos democratas à frente da cidade e do estado.

Em entrevista a jornalistas, ele afirmou que está trabalhando para que o número de agentes federais seja reduzido em Minnesota. “Eu tenho equipe do CBP [Patrulha da Fronteira] e do ICE [polícia de imigração dos EUA] trabalhando em um plano gradual de redução.”

Entre as condições apresentadas está a necessidade de que as cadeias locais avisem o ICE sobre pessoas sob sua custódia que a agência pode remover do país. Segundo Homan, isso significaria que menos agentes precisariam estar nas ruas procurando por imigrantes que estão no país de forma ilegal.

“Nos deem acesso a imigrantes ilegais, que representam ameaças à segurança pública, dentro da segurança e proteção de uma prisão”, disse Homan. Declarações parecidas já tinham sido dadas por Trump ao longo da semana.

Homan afirmou que não quer ver ninguém morrer. “Nem os oficiais, nem os membros da comunidade, nem os alvos das nossas operações”, disse ele, que negou que a operação contra imigrantes em situação irregular será abandonada. “Apenas estamos fazendo isso de maneira mais inteligente.”

A chegada de Homan a Minneapolis marcou a saída de Bovino, conhecido como um defensor da truculência das ações de deportação.

Fonte: Folha de São Paulo

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