Um novo apagão generalizado atingiu Cuba neste sábado (21), segundo o Ministério de Energia da ilha. É o segundo corte nacional em menos de uma semana. Os prédios começaram a perder fornecimento em Havana ao entardecer, pouco antes das 18h30 no horário local, apenas cinco dias depois de o primeiro apagão deixar o país no escuro
O ministério informou, em publicação no X, que ocorreu uma “desconexão total” do sistema elétrico nacional e que já começaram os trabalhos para restabelecer o serviço.
O corte ocorre quando um comboio de ajuda internacional começou a chegar a Havana nesta semana, levando à ilha suprimentos médicos, alimentos, água e painéis solares.
O antigo sistema de geração elétrica cubano já convive com cortes diários de até 20 horas em partes da ilha, que carece do combustível necessário para produzir energia. O problema se aprofundou depois que os Estados Unidos impuseram um bloqueio petroleiro à ilha após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. Caracas, agora liderada por Delcy Rodríguez sob tutela de Washington, era o principal fornecedor energético de Havana.
Na última segunda-feira (16), o operador estatal de energia elétrica já havia registrado o colapso total da rede, deixando os cerca de 10 milhões de habitantes da ilha sem luz. A estatal disse não ter detectado avarias em nenhuma das usinas termelétricas em funcionamento no momento da desconexão.
O isolamento energético de Cuba se reflete nos números de importação. O país recebeu apenas duas pequenas embarcações com petróleo neste ano, segundo dados de rastreamento de navios da LSEG vistos pela Reuters. O primeiro navio-tanque descarregou combustível em janeiro no porto de Havana, vindo do México. O segundo, vindo da Jamaica, descarregou gás liquefeito de petróleo em fevereiro.
A estatal venezuelana PDVSA carregou gasolina no mês passado em uma embarcação anteriormente usada para abastecer a ilha, mas o navio não deixou as águas venezuelanas.
A crise energética tem alimentado manifestações contra o regime. No último sábado (14), críticos ao governo atacaram um escritório do Partido Comunista no centro de Cuba, informou um jornal estatal, em uma rara explosão de dissidência pública provocada pelos apagões.
O regime admitiu contatos com a Casa Branca. Díaz-Canel confirmou as conversas em anúncio televisionado na última sexta-feira (13). Embora antagonistas, os dois países já passaram por outros momentos de negociação desde que a Revolução Cubana tirou do poder o ditador Fulgencio Batista, aliado dos EUA, em 1959.
Em nenhum momento, porém, os ventos pareceram tão favoráveis a Washington, que coloca a ilha como próximo alvo dos movimentos agressivos da diplomacia do segundo mandato de Trump, reflexo de sua “Doutrina Monroe” de intervenções no Hemisfério Ocidental.




