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Colômbia: Petro suspende negociação de paz com guerrilha – 22/04/2026 – Mundo

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, suspendeu na terça-feira (21) as negociações com uma das principais guerrilhas do país, liderada pelo guerrilheiro conhecido como Calarcá, o que representa mais um revés ao seu governo.

A menos de quatro meses do fim de seu mandato, quase todos os processos de diálogo iniciados por Petro enfrentaram rupturas, suspensões ou avanços limitados.

Também na terça-feira, o Clã do Golfo, a maior organização armada do narcotráfico no país, descartou negociar um acordo de paz sob sua Presidência. O governo de Petro mantinha diálogos desde 2023 com Calarcá, chefe do Estado-Maior de Blocos, uma das maiores dissidências das Farc que não aderiu ao acordo de paz de 2016.

Em uma reunião com seus ministros transmitida nas redes sociais, Petro anunciou que pediu ao Conselheiro Presidencial de Paz, Otty Patiño, que revise as negociações.

“Se o senhor Calarcá não cumpriu os acordos para não queimar a floresta e se dedicou a matar soldados ou a matar seus rivais das Farc com crimes de guerra […] então não há paz”, afirmou o presidente.

“O que vamos fazer? Eu gostaria da paz, mas a paz tem que ser feita sobre bases sérias, não sobre mentiras”, acrescentou. O grupo de Calarcá continuou realizando ataques contra as forças de segurança e civis nas áreas de atuação de sua guerrilha, principalmente na fronteira com a Venezuela e na Amazônia.

Uma de suas principais fontes de financiamento do grupo é o desmatamento para abrir espaço à pecuária, assim como o narcotráfico, a extorsão e a mineração ilegal.

Petro, que é ex-guerrilheiro, fracassou na maioria de suas tentativas de assinar a paz.

Na terça-feira, o advogado do Clã do Golfo, Ricardo Giraldo, disse que considera “impossível” assinar a paz com seu governo, apesar do diálogo que mantêm no Qatar. Segundo ele, o objetivo do grupo é que o processo avance “com o Estado”, e não necessariamente “com o governo”, ou seja, que continue após o mandato de Petro.

“É impossível, por mais que quisessem, chegar a um acordo final de paz”, disse em conversa com jornalistas.

Petro também tentou negociar o fim do conflito com a guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN), a mais antiga do continente, mas as converss foram interrompidas após um ataque na fronteira que deixou mais de cem mortos no início do ano passado.

O mesmo aconteceu com outra dissidência das Farc sob o comando de Iván Mordisco. O guerrilheiro mais procurado do país decidiu abandonar as negociações e intensificou os atentados com carros-bomba e drones.

Analistas consideram que os grupos armados se fortaleceram durante a estratégia de “paz total” do governo de Petro, com prioridade ao diálogo com grupos armados. A escolha foi criticada por opositores, ex-presidentes e militares da reserva, em um país com mais de seis décadas de conflito armado.

Acusado de indulgência por críticos, Petro aumentou a pressão sobre esses grupos às vésperas das eleições de 31 de maio, que definirão seu sucessor. O líder de esquerda também enfrentou pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impôs sanções sob a alegação de que o governo colombiano não fez o suficiente para conter o narcotráfico.

Fonte: Folha de São Paulo

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